Anúncio do novo CEO do GPA, Alexandre de Jesus Santoro, foi interpretado como movimento de continuidade pelo mercado, porém gerou nova ruptura entre acionistas e pode paralisar decisões estratégicas
O mercado recebeu a chegada do novo CEO do GPA como um sinal de continuidade, mas a nomeação também provocou desconforto entre acionistas minoritários.
Alguns investidores criticam o fato de o nome ter sido aprovado apenas pelo conselho de administração, sem votação em AGE, e ameaçam usar as cadeiras vagas no conselho para ganhar influência.
Se os minoritários pedirem uma AGE para eleger novos conselheiros, a avaliação é de que a nova gestão pode ficar em compasso de espera e o novo CEO do GPA terá dificuldades para impor mudanças já planejadas pelos controladores, conforme informação divulgada pela fonte enviada.
Escolha do executivo e reação dos acionistas
Para assumir o cargo, Alexandre de Jesus Santoro deixou o grupo IMC, das marcas Frango Assado e Pizza Hut, onde liderou um processo de expansão das redes. Apesar do currículo, um acionista com participação importante disse à coluna que não foi consultado sobre o nome.
O anúncio, embora visto como continuidade, provocou uma nova ruptura nos bastidores, com minoritários avaliando as opções para pressionar por representação maior no conselho.
Conselho, cadeiras vagas e possibilidade de AGE
Hoje formado por sete membros, o conselho do GPA comporta até nove cadeiras, e minoritários descontentes com a escolha agora estão de olho nos dois assentos vagos.
Se os investidores insatisfeitos decidirem pedir uma AGE para eleger novos conselheiros e preencher as vagas, a expectativa é de que a administração fique em espera e que Alexandre Santoro não tenha a caneta livre para implementar mudanças imediatas.
Resultados e contexto operacional
No terceiro trimestre, o GPA conseguiu reverter o prejuízo apurado em trimestres anteriores e entregou lucro líquido de R$ 137 milhões. O resultado é fruto de um plano iniciado no ano passado de redução de custos, despesas e investimentos.
A empresa passa por um processo de simplificação da sua estrutura administrativa e já reduziu 700 cargos, principalmente na sua sede, medidas que os novos controladores querem ver aprofundadas, mas que podem ficar paradas caso o impasse no conselho se arraste.
O que vem a seguir
A principal incógnita é se os acionistas minoritários vão formalizar o pedido de AGE e quais nomes colocarão para as vagas no conselho. Até que essa definição ocorra, a gestão do novo CEO do GPA pode operar com menos autonomia do que o mercado esperava quando recebeu a notícia como movimento de continuidade.
Analistas e investidores seguirão atentos às decisões dos controladores e aos próximos passos dos minoritários, que podem determinar o ritmo das mudanças no Pão de Açúcar.