O avanço do processo de ratificação do acordo Mercosul-UE reacende expectativa entre empresas francesas instaladas no Brasil.
Para muitos dirigentes, a assinatura abriria acesso a um mercado que empresas europeias consideram fechado, e reduziria barreiras que hoje favorecem competidores sem tratado.
Ao mesmo tempo, a posição do governo francês vem gerando debates e deixando Paris cada vez mais isolada entre parceiros europeus.
conforme reportagem do Les Echos
Como empresários franceses no Brasil avaliam o acordo Mercosul-UE
Segundo Thierry Besse, presidente da Câmara de Comércio França-Brasil em São Paulo, ouvido pelo jornal, assinar um acordo que dê acesso à economia brasileira – considerada “a mais fechada do G20” – teria um impacto estratégico significativo.
Executivos de mais de mil empresas francesas no país veem o acordo Mercosul-UE não como ameaça, mas como uma oportunidade de crescimento e de reposicionamento estratégico.
O ponto central para esses empresários são as barreiras tarifárias, e a expectativa é que o tratado amplie competitividade e facilite investimentos.
Tarifas, competição global e ganhos previstos
O texto da reportagem destaca que as tarifas alfandegárias brasileiras, que podem chegar a 35%, representam um entrave importante para as empresas europeias.
Com o acordo, a indústria e o comércio europeus poderiam ficar em posição vantajosa frente a concorrentes norte-americanos e chineses, que não dispõem de tratado equivalente com o Brasil.
Para empresas francesas, a redução de tarifas e a previsibilidade regulatória são vistas como fatores que podem acelerar exportações e investimentos no Brasil.
Implicações políticas na União Europeia e o papel da França
Para o Le Figaro, a França acaba politicamente isolada dentro da União Europeia ao tentar bloquear o tratado, especialmente depois da mudança de posição da Itália.
O jornal observa que, apesar de Paris ter obtido diversas concessões nas negociações, manteve postura inflexível que não conseguiu explicar claramente à opinião pública nem impor em Bruxelas.
Caso a maioria qualificada seja alcançada na votação desta sexta-feira – isto é, 55% dos Estados-membros que representem 65% da população europeia – a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá embarcar para o Paraguai, onde deverá assinar formalmente o acordo na próxima segunda-feira (12), destaca o Les Echos.
Pressões internas e possíveis desdobramentos
O debate em Paris também expõe contradições internas, pois setores que poderiam se beneficiar do tratado permaneceram em silêncio diante da forte pressão do setor agrícola.
O resultado é uma França politicamente fragilizada e cada vez mais distante da maioria europeia, presa entre discurso e prática, segundo a cobertura do Le Figaro.
Na avaliação de empresários no Brasil, se o acordo Mercosul-UE for formalizado, haverá janela de oportunidade para empresas francesas ganharem escala e superar barreiras que hoje limitam sua atuação no mercado brasileiro.