Fraude do Master, Brain Realty e Reag: empresa com capital de R$ 2,2 milhões recebeu empréstimo de R$ 459 milhões e movimentou fundos ligados a Daniel Vorcaro

A investigação aponta que o Banco Master empregou a empresa Brain Realty Consultoria e Participações Imobiliárias S.A. em uma operação que movimentou centenas de milhões, em desdobramentos de uma suspeita de fraude do Master.

De acordo com documentos, a Brain Realty recebeu um empréstimo de R$ 459 milhões, que foi aplicado em fundos geridos pela Reag, e parte desses recursos acabou transitando por outros fundos administrados pela mesma gestora.

Os dados e as suspeitas foram incluídos em uma denúncia do Banco Central ao Ministério Público Federal, conforme informação divulgada pela Folha.

Como teria funcionado o esquema

Segundo a denúncia, o Master emprestava dinheiro para empresas que, oficialmente, não eram controladas pelo banco, mas integravam uma cadeia de operações entrelaçadas.

Essas empresas aplicavam os recursos em fundos da Reag, que, na prática, compravam ativos de baixa liquidez por preços muito acima do real, elevando artificialmente o patrimônio dos fundos.

Com a valorização falsa registrada nos fundos, os gestores justificavam saques e transferências para outros fundos, até que os valores chegassem a carteiras vinculadas a pessoas físicas ou jurídicas consideradas laranjas, segundo os investigadores.

Quem são as empresas e executivos citados

A empresa usada no empréstimo é a Brain Realty Consultoria e Participações Imobiliárias S.A., cujo capital social saltou de R$ 100 para R$ 2,2 milhões em 26 de dezembro de 2023, conforme ata que registra a reunião presidida por João Carlos Mansur.

Marisa Nassar aparece como presidente da Brain Realty, ela foi funcionária da Reag, e direcionou pedidos de contato para Leonardo Donato, que atuou como executivo da Reag até 2023.

Donato também figura como administrador da Blum Capital Partners, que detém participação na Reag Asset Management, segundo informações da Receita Federal.

Operações específicas apontadas pela investigação

De acordo com os documentos, a Brain Realty tomou o empréstimo do Master em 22 de abril de 2024, no valor de R$ 459 milhões, e aplicou os recursos no fundo Brain Cash Fundo de Investimento Financeiro Multimercado, cujo único cotista é a própria Brain Realty.

Poucas horas depois, os recursos foram transferidos para outro fundo da Reag, o D Mais, cujo principal ativo eram certificados físicos de ações do extinto Besc, as chamadas cártulas.

Os gestores teriam comprado esses papéis de baixo valor como se valessem muito mais, para inflar o patrimônio dos fundos e viabilizar saídas posteriores de recursos.

Escala das suspeitas e conexões mais amplas

Os investigadores suspeitam que os fundos tenham sido usados para lavar recursos em uma rede de laranjas ligados a Daniel Vorcaro, dono do Master, e que ao menos R$ 11,5 bilhões tenham passado por operações relacionadas à fraude, segundo a denúncia do Banco Central ao MPF.

Além da sobreposição de fundos e das operações com cártulas, os auditores do BC já identificaram outras denúncias envolvendo o Master, como a revenda ao BRB de créditos avaliados em R$ 12,2 bilhões, apontados como inexistentes pelos investigadores.

O caso também se relaciona a investigações anteriores envolvendo a Reag, entre elas a operação Carbono Oculto da Receita Federal, que apura uso de fundos da gestora por organizações criminosas, incluindo fundos listados como ligados ao PCC.

Próximos passos e impactos

O Ministério Público Federal recebeu a denúncia do Banco Central e investiga as transações que ligam o Master, a Brain Realty e fundos da Reag.

Fontes informam que a defesa de executivos e a assessoria do Banco Master foram procuradas, sem retorno até o momento, e que alguns dos nomes citados preferiram não se manifestar.

O caso ressalta, segundo especialistas ouvidos pelas autoridades, a complexidade das fraudes que usam sobreposição de fundos e instrumentos ilíquidos para mascarar desvios e movimentar grandes volumes financeiros.

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