Ansiedade infantil nas férias: 8 dicas práticas de psicólogos para reduzir a insegurança, regular a rotina, limitar telas, fortalecer vínculo e saber quando buscar ajuda

Férias trazem tempo livre, alegria e descanso, mas também podem aumentar a ansiedade infantil nas férias quando faltam referências e rotina.

Especialistas avaliam que pequenas previsibilidades no dia a dia, limites nas telas e presença afetiva dos pais ajudam a reduzir a ansiedade dos filhos.

Conforme informação divulgada por especialistas consultados.

Por que a ansiedade infantil nas férias aparece

Uma das causas de ansiedade nas férias é a perda de estrutura, sem a escola e os horários fixos para refeições e tarefas, as crianças ficam sem referência.

Como explica a psicóloga Natália Aguilar, “Não precisa ser uma agenda rígida, mas alguns pontos de ancoragem ao longo do dia, como horário para acordar, dormir, para fazer refeições e brincar. São pequenos rituais que funcionam como lembretes de previsibilidade”.

Além disso, o estresse dos pais se reflete nas crianças, e o uso excessivo de telas pode virar o único escape, aumentando a dificuldade de lidar com emoções reais.

Oito dicas práticas para reduzir a ansiedade infantil nas férias

1. Estabeleça uma rotina mínima, com horários aproximados para acordar, comer, brincar e dormir. Isso dá segurança sem transformar as férias em um cronograma rígido.

2. Defina horários de tela, e priorize atividades reais, como jogos, leituras e ar livre. “As telas não precisam ser vilãs, porque nossa realidade não permite viver sem elas. Essa geração nem imagina um mundo assim”, lembra Aguilar.

3. Brinque com presença, sem celular e sem pressa. Segundo o psicanalista Artur Costa, “O mais importante não é a brincadeira em si, mas a qualidade da presença dos pais enquanto as crianças brincam. Quando o adulto brinca de verdade sem celular e sem pressa, a criança sente uma real segurança emocional”.

4. Observe sinais físicos e comportamentais, como insônia, dor de barriga, dor de cabeça, apego excessivo, agitação ou angústia, e cuide com atenção, sem minimizar os sintomas.

5. Pratique escuta ativa, com perguntas abertas e validação emocional. Evite frases como “isso é bobagem” ou tentar apagar o sentimento com distrações.

6. Evite superproteção, permita frustrações leves que ajudam a construir resiliência, em vez de tentar eliminar todo desconforto imediatamente.

7. Cuide do próprio estresse, faça pausas, divida tarefas e modele regulação emocional, pois as crianças observam e replicam o comportamento dos adultos.

8. Explique e normalize a busca por ajuda, se necessário, falando com naturalidade sobre profissionais que podem apoiar a família.

O papel dos pais e da presença afetiva

O psicanalista Artur Costa destaca que as crianças regulam suas emoções observando como os adultos lidam com o dia a dia, portanto a regulação dos pais é fundamental.

Costa afirma também que “A correção passa exatamente pelo acolhimento emocional. Ouvir, validar, perceber o que a criança está sentindo. Isso vai ajudá-la a nomear o que sente. A ansiedade infantil não se combate com controle, ela se combate com vínculo, escuta e segurança afetiva”.

Ele resume que “Um adulto emocionalmente regulado ensina pelo exemplo que o mundo é um lugar mais simples e deixa a criança segura. Uma criança segura é uma criança calma”.

Quando procurar ajuda profissional

Se os sintomas persistirem ou começarem a prejudicar a rotina por semanas, é hora de buscar um profissional. Explique a criança com naturalidade sobre a ajuda, por exemplo, dizendo: “Mamãe e papai não estão conseguindo ajudar sozinhos, vamos buscar uma pessoa que entende um pouco mais dos sentimentos para ajudar você”.

Combater a ansiedade infantil nas férias passa por previsibilidade, limites saudáveis, presença e escuta, além da disposição de procurar apoio quando a família não consegue lidar sozinha.

Leia mais

PUBLICIDADE