Flechas envenenadas têm pelo menos 60 mil anos, achado em Umhlatuzana, África do Sul, revela uso de Boophone disticha, apontam compostos bufandrina e epibufanisina

Três parágrafos curtos vão introduzir a descoberta, explicando por que ela é importante e o que o leitor verá a seguir.

Pesquisadores identificaram resquícios de veneno em pontas de flecha de pedra, mostrando uma tecnologia de caça avançada e antiga.

As implicações vão da biologia à cognição humana, sobre como grupos antigos conheciam plantas e planejavam emboscadas, conforme informação divulgada pelo g1.

O que foi encontrado e onde

Pesquisadores liderados por Sven Isaksson, da Universidade de Estocolmo, analisaram artefatos do abrigo rochoso de Umhlatuzana, na África do Sul, e detectaram vestígios de veneno nas superfícies das pontas de pedra.

As análises químicas revelaram a presença de bufandrina e epibufanisina, os mesmos compostos identificados em flechas envenenadas muito mais recentes da região, com 250 anos de idade.

Idade e contexto histórico

O estudo conclui que o estratagema de aplicar veneno em flechas tem pelo menos 60 mil anos, um intervalo que, arredondando, é cerca de 40 vezes maior do que o espaço de tempo que nos separa da Grécia da Idade do Bronze.

Isso coloca a origem das flechas envenenadas não apenas na África do Sul, mas em um momento remoto, anterior à maioria da expansão dos humanos de anatomia moderna para fora da África.

De onde vinha o veneno e como atuava

Os autores do estudo atribuem os compostos ao bulbo da planta arbustiva Boophone disticha, comum na região e conhecida por caçadores-coletores locais.

O extrato do bulbo, depois de seco, adquire consistência de goma, e em doses pequenas mata roedores em meia hora, enquanto em humanos pode causar náusea, flacidez muscular, inchaço nos pulmões, paralisia respiratória e coma.

O que isso diz sobre a cognição humana

A produção de flechas envenenadas exige, seguindo os autores, conhecimento das propriedades bioquímicas da flora, habilidade técnica para preparar o extrato e aplicá-lo à flecha, e planejamento para seguir o animal até o veneno agir.

Esses pontos indicam que, há dezenas de milhares de anos, grupos na África possuíam um comportamento complexo, combinando conhecimento ecológico e tecnologia para aumentar a eficiência na caça.

O achado amplia nossa compreensão da inovação e da transmissão de saberes, mostrando que técnicas letais e sofisticadas eram parte do repertório humano muito antes de registros históricos mais recentes.

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