Eugenio Figueiredo afirma que a OSX é “inquilina inadimplente” no complexo do Porto do Açu, deve R$ 2,5 bilhões e ocupa área que poderia abrigar terminais, data centers e plantas de hidrogênio
O CEO do Porto do Açu acusa a OSX de usar uma área do complexo sem pagar aluguel, e diz que o terreno está sendo desperdiçado enquanto há planos para novos terminais e infraestrutura.
A OSX entrou em recuperação judicial no começo de 2024 com dívidas que somavam R$ 7,9 bilhões, e o Porto do Açu é um dos principais credores, segundo a entrevista com o CEO.
As declarações e os números foram apresentados em entrevista ao Painel S.A., e refletem o posicionamento do comando do porto frente ao impasse com a empresa de Eike Batista, conforme informação divulgada ao Painel S.A.
O caso, em palavras do CEO
Sobre a ocupação sem pagamento, Eugenio Figueiredo comparou a situação a um inquilino que se nega a pagar e a sair, dizendo exatamente, “Esse é um caso muito simples. Imagine que você tem um apartamento e o alugou. Um dia o inquilino diz que não vai mais pagar o aluguel e continua morando lá por 10, 15 anos, sem pagar nenhum real. Você pede que ele saia e ele responde que vai ficar, apesar de inadimplente. É isso que a OSX faz.”
Dívidas e números
Segundo o CEO, a dívida da OSX com a gestora do porto está “em torno de R$ 2,5 bilhões”. Ele acrescenta que essa dívida cresce a cada dia e que a empresa, na avaliação da administração do porto, não tem condição de se reestruturar.
Figueiredo também destacou os números consolidados, citando que a receita da OSX é de R$ 70 milhões e “eles devem R$ 9 bilhões, somando outros credores”, e afirmou que “isso nunca vai ter uma solução através de uma recuperação judicial”.
Impacto nos planos do Porto do Açu
O Porto do Açu, administrado pela Prumo Logística, controlada pelos fundos EIG e Mubadala, em parceria com uma subsidiária do Porto de Antuérpia-Bruges, ocupa uma área de 130 km² no norte do Rio de Janeiro.
Figueiredo disse que a área ocupada pela OSX poderia ser usada para terminais de exportação de grãos, data centers e plantas de hidrogênio verde, além de outras estruturas. Para o CEO, liberar esse espaço poderia também contribuir para a criação de uma rota alternativa para o agronegócio no estado.
O executivo ressaltou a vantagem logística do porto ao explicar que, ao olhar para a “distância econômica, em vez da física”, o Açu pode ser competitivo porque “nosso porto não tem fila de espera”, o que reduz custos totais de exportação.
Situação jurídica e possibilidade de solução
Do lado da OSX, a empresa afirmou que não se manifesta sobre o assunto por ser objeto de procedimento arbitral em curso, e acusa a gestora do porto de querer asfixiar a companhia para tomar seu espaço no local.
Para Figueiredo, “a probabilidade de que essa solução aconteça de forma a salvar a companhia é muito baixa”, e a saída, segundo ele, passaria por um acordo entre a maioria dos credores, ou pela liberação da área para novos projetos.
O impasse envolve, assim, aspectos financeiros, legais e estratégicos, e a disputa segue em paralelo à busca do porto por novos clientes e investimentos em energia, com intenção de atrair data centers e projetos de energia renovável.
O que vem a seguir
Enquanto a disputa jurídica e o procedimento arbitral se desenrolam, a administração do porto tenta mapear usos alternativos para a área ocupada. A eventual desocupação poderia acelerar projetos de terminais e abrir espaço para infraestrutura ligada ao agronegócio e à tecnologia.
O desfecho terá impacto direto sobre investidores, credores e a estratégia de logística de exportação, especialmente se a área for transformada em espaço para escoamento de grãos e instalações de alta demanda energética.