Derrubada de 71 árvores no Flamengo, moradores protestam contra obras no terreno do antigo Colégio Bennett, Ministério Público investiga licenças e compensações

Uma manifestação reuniu moradores do bairro do Flamengo na manhã deste sábado, para reclamar da remoção de 71 árvores no terreno do antigo Colégio Bennett, onde São realizadas obras para a construção de duas torres com cerca de 350 unidades habitacionais.

O protesto foi organizado pela associação de moradores do Flamengo, que denuncia a construção em uma área tombada pelo patrimônio histórico municipal e ocupou uma faixa da rua Marquês de Abrantes com faixas contra a obra e contra o prefeito Eduardo Paes, do PSD.

O caso ganhou investigação do Ministério Público, após a retirada das árvores, e também trouxe à tona trechos do decreto de tombamento e as licenças apresentadas pela Prefeitura, conforme informação divulgada pelo g1

O protesto e as reivindicações

Moradores afirmam que a obra compromete o caráter histórico e ambiental da área tombada, e pedem a retomada de medidas de preservação. A manifestação teve cartazes e interrupção parcial do trânsito na via, em protesto contra o avanço das obras no terreno do antigo Colégio Bennett.

A associação questiona a justificativa técnica para a retirada das árvores e solicita que os órgãos de preservação fiscalizem as obrigações do empreendimento, especialmente em relação ao gradil, à antiga cavalariça e às edificações tombadas nos fundos do terreno.

O tombamento e a legislação

O terreno é protegido por um decreto assinado em 2014, no segundo mandato do prefeito Eduardo Paes, que registra, segundo a legislação, o antigo Pavilhão São Clemente, a antiga cavalariça, a guarita e o gradil que limita a área como bens tombados.

O decreto também afirma que as árvores do terreno estariam “imunes ao corte”, texto que os moradores e ativistas usam como argumento para condenar a retirada das plantas, e que exige que qualquer alteração no terreno seja submetida ao Conselho Municipal de Proteção ao Patrimônio Cultural do Rio de Janeiro.

Posição da prefeitura e compensações

Em nota, a prefeitura informou que “foram concedidas licenças da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento, do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), do Conselho Municipal de Proteção do Patrimônio Cultural do Rio, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ)”.

A nota também diz que “O projeto prevê medidas compensatórias ambientais, incluindo investimento financeiro e plantio de 632 mudas nativas, parte no Flamengo e em ruas próximas na zona sul, em bairros vizinhos como Botafogo e Laranjeiras. No terreno, nove árvores de espécies nativas serão preservadas, 67 majoritariamente exóticas (não-nativas) serão removidas e quatro árvores já estavam mortas”.

A Prefeitura afirmou ainda que o gradil pode ser retirado durante as obras, mas que deverá ser reinstalado para “a restauração integral do casarão tombado” e que o licenciamento determina a manutenção do gradil, assim como da antiga cavalariça, de duas edificações e do paisagismo.

Investigação e próximos passos

O Ministério Público instaurou inquérito para apurar a remoção das árvores e verificar se todas as condicionantes do licenciamento e do tombamento foram respeitadas, segundo a apuração.

Especialistas em patrimônio e ativistas ambientais acompanham o caso e pedem transparência sobre os relatórios de supressão vegetal e sobre o cumprimento das medidas compensatórias, como o plantio de mudas e os investimentos financeiros mencionados pela administração municipal.

Enquanto isso, os moradores prometem nova mobilização caso não sejam apresentadas respostas claras sobre a preservação das áreas tombadas e sobre a execução das compensações anunciadas pelas autoridades.

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