Jogos de Inverno de Milão e Cortina 2026: Incertezas e Expectativas Marcam o Início na Itália
Os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão e Cortina, na Itália, iniciam nesta quarta-feira, 4 de setembro, em meio a um cenário de obras inacabadas e protestos de grupos ambientalistas. A competição, que se estenderá até 22 de fevereiro, contará com mais de cem eventos distribuídos em sete cidades italianas e reunirá aproximadamente 2.900 atletas de mais de 90 países.
As provas de curling já começam nesta quarta-feira, dois dias antes da cerimônia de abertura oficial, marcada para sexta-feira, 6 de setembro, no estádio San Siro, em Milão. A ginasta brasileira Rebeca Andrade terá a honra de ser uma das oito personalidades a carregar a bandeira olímpica, enquanto o ministro do Esporte, André Fufuca, representará o governo brasileiro no evento.
Com a maior delegação de sua história, o Brasil enviará 14 atletas para competir em cinco modalidades: esqui alpino, esqui cross-country, bobsled, skeleton e snowboard. A expectativa é alta, especialmente com a presença de Lucas Pinheiro Braathen, que escolheu defender as cores brasileiras após ter competido pela Noruega. Conforme apurado pela fonte, Braathen, com 25 anos e nascido na Noruega de mãe brasileira, já conquistou 20 medalhas em Copas do Mundo e compete a partir do dia 14 de fevereiro nas provas de slalom e slalom gigante no esqui alpino, modalidade em que a Noruega foi a grande vencedora dos Jogos de Pequim 2022, com 37 pódios. A informação foi divulgada pela fonte.
Desafios de Infraestrutura e Sustentabilidade em Destaque
A quarta edição dos Jogos Olímpicos sediada pela Itália, a terceira de inverno, segue as diretrizes da Agenda Olímpica 2020 do COI, que visa maior sustentabilidade através do uso de estruturas existentes ou temporárias. Contudo, a construção da arena Santa Giulia em Milão, que abrigará as disputas de hóquei no gelo, tem sido alvo de críticas. O projeto, assinado pelo arquiteto David Chipperfield, enfrentou correria para sua finalização, com instalações inacabadas e áreas com materiais de construção e sujeira ainda visíveis nos dias que antecederam o evento.
Em Cortina d’Ampezzo, o teleférico de Apollonio–Socrepes, essencial para o acesso às provas de esqui alpino feminino, também corre o risco de não ser concluído a tempo. De acordo com a Simico, empresa responsável pelas obras, das 98 intervenções planejadas, incluindo 47 em instalações esportivas e 51 em infraestrutura de transporte, apenas 40 foram finalizadas. O custo total das obras já atinge 3,5 bilhões de euros, o equivalente a R$ 21,6 bilhões, com a arena de Milão sendo financiada por recursos privados.
Críticas Ambientais e o Futuro dos Esportes de Inverno
Organizações ambientais, como a Legambiente, uma das mais reconhecidas na Itália, expressaram forte desaprovação aos Jogos, citando a falta de atenção à crise climática nos Alpes e a priorização de obras rodoviárias em detrimento das ferroviárias. A ONG alerta para o aumento de 265 instalações de esqui desativadas no país desde 2020, reflexo direto das mudanças climáticas que resultam em menor negação e maior dependência de neve artificial, com alto consumo de energia e água.
A descentralização das competições em sete cidades buscou minimizar o impacto ambiental, aproveitando estruturas já existentes. No entanto, a distância de 400 km entre Milão e Cortina, com trechos não totalmente cobertos por ferrovias, ainda gera preocupações quanto aos deslocamentos. As provas serão distribuídas em diversas localidades, incluindo Tesero, Predazzo, Livigno, Bormio e Anterselva/Antholz, cada uma sediando modalidades específicas.
Milão Vive os Jogos com Indiferença e Protestos
Milão, cidade acostumada a grandes eventos internacionais como semanas de moda e design, parece receber os Jogos com uma certa indiferença por parte de seus moradores, contrastando com o entusiasmo dos patrocinadores, que ocupam as praças centrais com megaestruturas. Interdições de ruas e fechamento de escolas são alguns dos transtornos esperados pela população. A venda de ingressos para a cerimônia de abertura, com preços elevados, também evidencia um certo distanciamento.
Um protesto ocorreu no sábado, 31 de janeiro, contra a presença de agentes do ICE, braço investigativo com histórico de atuação em cenas violentas contra imigrantes nos Estados Unidos. O governo italiano esclareceu que os agentes atuarão apenas dentro do consulado, na área de inteligência, tranquilizando a maior delegação dos Jogos, a dos Estados Unidos, com mais de 230 atletas, e a expectativa da presença de autoridades americanas na abertura.