Chefes de Fundos de Previdência com Milhões no Banco Master Têm Conexões Políticas Fortes

Conexões Políticas e Fundos de Previdência: O Caso do Banco Master no Amapá e Rio de Janeiro

As lideranças dos fundos de previdência estaduais com as maiores aplicações em letras financeiras do Banco Master apresentam um perfil com **conexões políticas** e passagens anteriores pela área pública. Essa constatação surge em meio a operações da Polícia Federal que prenderam dois ex-presidentes de entidades previdenciárias estaduais.

Os casos em destaque são de Jocildo Silva Lemos, presidente da Amprev (Amapá), e Deivis Marcon Antunes, ex-presidente do Rioprevidência (Rio de Janeiro). Ambos tiveram suas gestões marcadas por **aplicações vultosas em letras financeiras do Banco Master**, instituição que atualmente enfrenta suspeitas de um amplo esquema de irregularidades.

Os dados do Ministério da Previdência Social, divulgados em novembro, revelam que a Amprev direcionou R$ 400 milhões para o Master, enquanto o Rioprevidência aplicou R$ 970 milhões. É importante notar que as letras financeiras **não possuem garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC)**, o que eleva o risco de prejuízos para os fundos após a liquidação do banco.

Proximidade Política no Amapá: Jocildo Lemos e a Rede de Davi Alcolumbre

Jocildo Silva Lemos assumiu a presidência da Amprev em janeiro de 2023, declarando ter sido convidado para o cargo pelo senador Davi Alcolumbre (União-AP). A nomeação para a presidência da Amapá Previdência, segundo ele, contou com o aval do governador Clézio Luis. O senador Alcolumbre, que retornou à presidência do Senado em fevereiro de 2025, não é alvo da operação da PF.

O histórico de Jocildo Lemos inclui atuação como tesoureiro de campanha do senador Alcolumbre e representação do parlamentar em entregas de obras no estado. Jocildo também preside a Liga Independente das Escolas de Samba do Amapá (Liesap), onde há registros fotográficos de sua proximidade com o senador.

A Amprev conta ainda com Alberto Alcolumbre, irmão do senador, como conselheiro fiscal, embora ele não seja alvo da operação. Em resposta, o Governo do Amapá declarou que a Amprev se sente lesada pelo Banco Master e busca o ressarcimento, informando que os investimentos representam apenas 4,7% da carteira da instituição e que o patrimônio da Amprev cresceu 41% de 2023 para 2025.

Gestão no Rio de Janeiro: Deivis Antunes e o União Brasil

Deivis Marcon Antunes liderou o Rioprevidência entre julho de 2023 e janeiro de 2026, quando pediu demissão. Fontes ligadas à política fluminense indicam que sua indicação, assim como a de outros diretores, teria partido do União Brasil, partido que compõe a base do governo Cláudio Castro e é a mesma legenda de Alcolumbre no Amapá, o que a defesa do ex-presidente nega.

Antes de assumir o Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes ocupou um cargo de assessor-chefe na Secretaria de Estado de Transportes do Rio de Janeiro em 2022. Sua passagem pela secretaria, no entanto, não consta em seu currículo disponível em versões antigas do site do Rioprevidência.

A Secretaria de Transportes era, na época, comandada por André Nahass, que sucedeu o atual deputado federal Juninho do Pneu (União-RJ). O escritório de Nahass afirmou que Deivis foi convidado por sua qualificação e formação acadêmica. A defesa de Antunes reiterou que ele era um quadro técnico, com experiência em Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) e atuação jurídica em fundos como a Previ e a Refer.

Investigações e Pedidos de CPI no Rio de Janeiro

Deputados de oposição ao governador Cláudio Castro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) pedem a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as nomeações de ex-diretores do Rioprevidência e as operações realizadas com o Banco Master.

Em sua carta de demissão, Deivis Antunes afirmou ter promovido um “ciclo virtuoso de gestão” e se colocou à disposição das autoridades, repudiando qualquer tentativa de incriminar seus atos, que, segundo ele, foram pautados pelo espírito público e correção ética.

O Risco das Letras Financeiras Sem Garantia

A aplicação de recursos de fundos de previdência em letras financeiras do Banco Master levanta preocupações adicionais devido à ausência de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Essa modalidade de investimento, portanto, expõe os fundos a perdas significativas em caso de insolvência da instituição financeira.

A situação atual do Banco Master, envolvido em suspeitas de irregularidades, intensifica o debate sobre a segurança e a transparência na gestão dos fundos de aposentadoria e pensão de servidores públicos. As investigações em andamento buscam esclarecer a extensão das supostas fraudes e o papel dos gestores na aplicação desses recursos.

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