Previdências Públicas Investem Bilhões em Fundos Suspeitos do Banco Master e Enfrentam Perdas Milionárias
Um levantamento chocante, baseado em dados da CVM e do Ministério da Previdência, expõe que ao menos cem regimes de previdência estaduais e municipais realizaram investimentos em fundos ligados ao Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro. A investigação aponta que esses aportes, que somavam R$ 238 milhões antes da crise, já sofreram uma desvalorização expressiva de 57%.
Os recursos foram aplicados em cinco fundos de investimento específicos: Texas I (ações), Áquila, Osasco Properties, São Domingos e Brazilian Graveyard & Death Care (imobiliários). Essa revelação vai além do que se sabia anteriormente, que se limitava a investimentos diretos em letras financeiras do banco. Agora, fica claro que a exposição é indireta, através de cotas em fundos com conexões suspeitas.
A Folha cruzou informações da CVM e do Ministério da Previdência para mapear a rede de fundos investigados, revelando um esquema complexo. A gravidade da situação é amplificada pelo fato de que esses fundos investiram em ativos como a BR Cemitérios e ações da Ambipar, que sofreram quedas drásticas após crises financeiras. Conforme informação divulgada pela Folha, mais de uma centena de institutos de previdência, responsáveis pelas aposentadorias de servidores públicos, foram impactados.
Fundos do Master: Uma Rede de Investimentos Arriscados
Três previdências estaduais e 98 municipais aplicaram recursos em fundos conectados ao Banco Master. Entre os estados afetados estão Amapá, Rio de Janeiro e Tocantins. Já os municípios incluem capitais como Goiânia, além de outras cidades de diferentes portes.
O fundo Texas I se destaca como o principal receptor desses aportes, totalizando R$ 103 milhões em agosto de 2025. O Ministério Público Federal suspeita que este fundo foi utilizado pelo Master para inflar artificialmente o valor das ações da Ambipar. A queda nas ações da Ambipar, empresa de gestão ambiental, causou perdas significativas, especialmente para os institutos do Rio de Janeiro e Amapá, que juntas registraram um prejuízo de R$ 100 milhões.
O fundo Áquila, com R$ 83 milhões em agosto de 2025, é o segundo com mais aportes. Ele já foi citado na Operação Fundo Fake em 2020 por suspeitas de pagamentos de “rebates” a consultorias. O fundo Áquila registrou um prejuízo de R$ 20 milhões em 2025 e teve suas contas do ano anterior reprovadas pelos cotistas.
Prejuízos Concretos e Investigações em Andamento
O Instituto de Previdência do Amapá (Amprev) viu um investimento de R$ 30 milhões se transformar em R$ 4,2 milhões em apenas dois meses, após a aplicação em setembro de 2025, dez dias antes da queda das ações da Ambipar. O Amprev informou que os investimentos no Master representam 4,7% de sua carteira total e que busca ressarcimento.
Em Goiânia, o instituto GoiâniaPrev detém R$ 10 milhões aplicados no fundo Aquilla. A gestão atual afirma que a baixa liquidez e o fraco desempenho inviabilizaram o desinvestimento, e que a aplicação ocorreu em gestões passadas. O instituto busca alternativas jurídicas para mitigar perdas.
O fundo São Domingos recebeu R$ 20 milhões, com o instituto de Uberlândia (MG) sendo o maior investidor. O instituto informou que as aplicações foram feitas entre 2013 e 2016 e que denunciou as aplicações aos órgãos de controle. O fundo Brazilian Graveyard, com R$ 16 milhões, teve como maior investidor o instituto de Paranaguá (PR).
O fundo Osasco Properties, com R$ 5 milhões, foi o que menos recebeu. O Iprem de Santo Antônio de Posse (SP) sofreu um prejuízo de R$ 5,1 milhões em fundos conectados ao Master. A Planner, administradora do Osasco Properties, negou qualquer vínculo com o Banco Master.