Fifa aplica sanções à Associação de Futebol de Israel por discriminação contra palestinos
O Comitê Disciplinar da Fifa anunciou, nesta quinta-feira (19), a aplicação de sanções contra a Associação de Futebol de Israel (IFA). A decisão foi tomada após investigações que apontaram para múltiplas violações das obrigações da entidade como membro da Fifa, incluindo atos de discriminação contra o povo palestino.
A investigação teve início há quase dois anos, motivada por uma denúncia formal apresentada pela Associação Palestina de Futebol (PFA) ao Comitê de Governança, Auditoria e Conformidade (GACC) da Fifa. A PFA alegou uma série de infrações aos estatutos da entidade máxima do futebol mundial por parte da IFA.
Entre as acusações apresentadas pela PFA, destacam-se a morte de jogadores palestinos em ataques, a destruição de infraestruturas esportivas em Gaza, além de práticas de discriminação e racismo contra palestinos. Os clubes palestinos que participam de competições em Israel, mas estão sediados em território palestino, também foram citados.
Fifa aponta violações de artigos do Código Disciplinar
De acordo com o veredito do Comitê Disciplinar, a Associação de Futebol de Israel violou diretamente os artigos 13 e 15 do Código Disciplinar da Fifa. O artigo 13 trata do comportamento ofensivo e violações dos princípios de fair play, enquanto o artigo 15 aborda especificamente a discriminação e abuso racista.
As sanções impostas pela Fifa não recaem sobre os clubes, mas sim sobre a Associação de Futebol de Israel. A entidade foi multada em 150 mil francos suíços, o equivalente a cerca de R$ 995 mil. Além da multa e de uma advertência formal, a IFA terá que implementar um plano de prevenção focado em combater a discriminação.
Plano de prevenção e faixa contra discriminação
A Associação de Futebol de Israel será obrigada a exibir, em suas próximas três partidas de competições Fifa de nível A em casa, uma faixa visível com a mensagem “O Futebol Une o Mundo – Não à Discriminação”, acompanhada do logotipo da IFA. Os detalhes sobre o tamanho, layout e posicionamento da faixa deverão ser submetidos à Fifa para aprovação com antecedência mínima de 15 dias.
Adicionalmente, dentro de 60 dias, a IFA deverá destinar um terço do valor da multa para a implementação de um plano abrangente. Este plano deverá focar em reformas, protocolos, monitoramento e campanhas educativas em estádios e canais oficiais durante uma temporada completa, visando prevenir incidentes de discriminação. O restante da multa deve ser quitado em até 30 dias.
Fifa reforça papel do esporte pela paz
Em comunicado oficial, a Fifa ressaltou que, embora seu mandato seja focado em regulamentos internos, não pode ignorar o contexto humano mais amplo em que o futebol opera. A entidade reafirmou que o esporte deve ser uma plataforma para a paz, o diálogo e o respeito mútuo.
“Seu alcance global e poder unificador trazem consigo a responsabilidade de defender os valores de dignidade, igualdade e humanidade — especialmente em tempos de conflito e divisão”, declarou a Fifa. A Associação de Futebol de Israel ainda possui o direito de recorrer da decisão junto ao Comitê de Apelação da Fifa.