Mercado Pet Brasileiro Encara Desaceleração Histórica Após Anos de Crescimento Robusto
O mercado de produtos e serviços para animais de estimação, que vinha em uma trajetória de crescimento acelerado desde 2020, especialmente durante o período da pandemia, registrou sua primeira retração em termos reais. Os números de 2025 indicam um faturamento nominal de R$ 77,96 bilhões, um aumento de 3,45% em relação ao ano anterior. Contudo, quando ajustado pela inflação de 4,26% (IPCA), o setor apresentou uma queda no volume de negócios.
Essa desaceleração marca um ponto de virada significativo para um mercado que se tornou um dos mais resilientes e promissores da economia brasileira. A análise detalhada dos dados revela os fatores que contribuíram para este cenário inédito, acendendo um alerta para os empreendedores e consumidores do setor pet.
A Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação (Abempet), responsável pelo monitoramento do mercado desde 2013, divulgou os resultados que apontam para a primeira retração real desde 2019. A entidade detalha as causas e aponta os desafios para o futuro próximo, incluindo questões tributárias e a dependência de insumos importados.
Fatores que Levam à Retração do Mercado Pet
De acordo com a Abempet, a **retração no consumo**, a **inflação persistente** e o **câmbio desfavorável** são os principais responsáveis pela desaceleração observada em 2025. A variação cambial, em particular, impacta diretamente os custos de produção, uma vez que parte significativa dos ingredientes utilizados na fabricação de rações para pets é importada ou tem seus preços atrelados ao dólar.
“O segmento pet food [ração] representa 53,1% do faturamento total. Qualquer coisa que impacte este segmento gera impacto também no setor como um todo”, explica José Edson Galvão de França, presidente do conselho gestor da Abempet. Em 2025, a produção de ração atingiu 4 milhões de toneladas, **abaixo da metade da capacidade instalada nacional**, evidenciando o impacto da retração na produção.
Desempenho dos Segmentos e Canais de Venda
Dentro do mercado pet, o segmento de **ração** ainda é o mais representativo, com um faturamento de R$ 41,41 bilhões em 2025, registrando um crescimento de 1,6% no ano. Outros segmentos importantes incluem a venda de animais (R$ 8,56 bilhões, +5,2%), medicamentos (R$ 8,21 bilhões, +5%), serviços veterinários (R$ 8,18 bilhões, +6,7%) e serviços gerais como banho e tosa (R$ 6,94 bilhões, +6,9%).
Em relação aos canais de venda, os **pet shops de pequeno e médio porte** lideram as vendas, respondendo por 48,1% do faturamento total. Clínicas e hospitais veterinários vêm em seguida, com 17,5%, seguidos por megastores (9,6%), varejo alimentar (8,2%) e comércio eletrônico (8,1%). O segmento de e-commerce, por sua vez, é dominado por pet shops virtuais especializados (37,1% do faturamento do canal).
Impacto da Reforma Tributária e Perspectivas para 2026
A Abempet expressa preocupação com o cenário para 2026, especialmente devido à **não inclusão do setor na reforma tributária**. A associação argumenta que a carga tributária atual prejudica a competitividade, citando a diferença de tratamento em relação aos fabricantes de ração para animais de abate. “Os ingredientes para eles chegam a um preço 28% menor”, afirma Galvão de França.
A entidade apresentou um estudo em Brasília demonstrando que a redução da carga tributária poderia **elevar a produção industrial de ração para até 9 milhões de toneladas ao ano**, gerando um aumento significativo na arrecadação de tributos. A expectativa é que a falta de incentivos tributários mantenha o mercado sob pressão em 2026.