Jack, a Onça-Pintada Que Quebra Barreiras: Primeira Transfusão de Sangue no Brasil e Amor Pelas Sombras

Jack, a onça-pintada que precisou de transfusão de sangue, inspira cuidados e conservação

Jack, uma majestosa onça-pintada de 18 anos, fez história no Brasil ao se tornar o primeiro de sua espécie a receber uma transfusão de sangue. O procedimento, realizado em Botucatu (SP), foi essencial para que o felino, que sofre de doença renal crônica, pudesse iniciar um tratamento vital.

Nascido em 2008 no Pará, Jack chegou ao Zoológico de Sorocaba (SP) em abril de 2023. Lá, ele encontrou companhia em Vitória, uma fêmea com hidrocefalia. Segundo a prefeitura, a dupla estabeleceu um vínculo harmonioso, interagindo positivamente.

O comportamento de Jack revela um felino tranquilo, que prefere o descanso à sombra e demonstra um notável desinteresse pela água, um contraste com sua companheira. Sua dieta consiste, predominantemente, em carne bovina, sempre consumida com bom apetite. Conforme informações divulgadas pela prefeitura, Jack faz parte de um programa nacional de conservação, dado o seu status como espécie ameaçada de extinção, o que determina seu tempo de permanência no zoológico.

A Luta Contra a Doença Renal e a Solução Inovadora

A doença renal crônica de Jack o deixou anêmico, impedindo o início da hemodiálise, um tratamento crucial para a função renal. Diante desse quadro, a equipe veterinária optou por uma solução pioneira: a transfusão de sangue de outra onça-pintada saudável. O procedimento, que durou duas horas, foi realizado no Centro de Medicina e Pesquisa em Animais Selvagens (Cempas), em Botucatu (SP), no dia 13 de março, e foi considerado um sucesso.

O médico veterinário Gabriel Correa de Camargo, que liderou a intervenção, explicou ao g1 que Jack permanecerá em Botucatu para acompanhamento. “O Jack vai ficar aqui até se estabilizar. A gente ainda está avaliando se ele vai precisar de hemodiálise ou não. Ele está se recuperando aos poucos”, afirmou Camargo, destacando a comunicação constante com o Zoo de Sorocaba para as decisões sobre o tratamento.

Um Animal Dócil e Adaptado ao Cuidado Humano

O temperamento de Jack tem sido um fator positivo em seu tratamento. “Ele é relativamente dócil. Quando a gente chega perto, ele vem cheirar, interagir. É um animal acostumado à presença humana, o que é muito bom, porque facilita o manejo”, relatou o veterinário ao g1. O tratamento atual inclui soro intravenoso para hidratação e medicamentos para náuseas, com ajustes diários.

A expectativa é que, com os cuidados intensivos, Jack possa ter uma qualidade de vida prolongada, possivelmente superando a expectativa de vida de 20 anos para a espécie sob cuidados humanos. A onça-pintada, um animal frequentemente temido, desempenha um papel fundamental no equilíbrio ecológico brasileiro.

A Importância Ecológica da Onça-Pintada e a Conservação

A médica veterinária Cristina Harumi Adania, da Associação Mata Ciliar de Jundiaí (SP), ressalta a importância da preservação da onça-pintada. “A onça-pintada tem uma importância ecológica muito grande, pois ela é o topo da cadeia alimentar”, explicou Adania ao g1.

Ela complementa que a onça, como predador de topo, regula as populações de suas presas, evitando desequilíbrios ambientais. “Se você retira a onça-pintada do ambiente natural, você acaba por desequilibrar aquele ambiente”, alertou a veterinária.

A presença da onça-pintada em um ecossistema é, para muitos especialistas, um indicativo de sua saúde e qualidade. A conservação dessa espécie é, portanto, crucial para a manutenção da biodiversidade e do equilíbrio natural no Brasil.

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