Bauru Lidera Ranking Negativo de Tratamento de Esgoto em São Paulo
Bauru (SP) amarga a última posição entre os municípios paulistas no tratamento de esgoto, conforme revela o Ranking do Saneamento Básico 2026, divulgado pelo Instituto Trata Brasil (ITB). A cidade trata apenas 2,85% do esgoto gerado, um índice alarmante e inferior ao registrado no ano anterior, quando o percentual era de 3,20%.
Essa precária situação coloca Bauru em uma posição de destaque negativo, com sérias implicações para a saúde pública e o meio ambiente. Entre as 100 cidades mais populosas do Brasil, Bauru figura na 79ª colocação geral, com uma nota de 4,98 em 10 no quesito saneamento básico.
O saneamento básico, que abrange água tratada, coleta e tratamento de esgoto, gestão de resíduos sólidos e drenagem urbana, é fundamental para a qualidade de vida. A falta de investimento em Bauru contrasta com a importância do tema, conforme aponta o especialista. Conforme informação divulgada pelo g1, o Prof. Dr. Jozrael Henriques Rezende, da Fatec Jahu, enfatiza que o saneamento é, antes de tudo, uma questão de infraestrutura e saúde pública.
Impactos Alarmantes na Saúde e no Meio Ambiente
A falta de tratamento de esgoto em Bauru gera consequências graves, afetando não apenas seus habitantes. O esgoto não tratado é despejado diretamente no Rio Bauru, que posteriormente deságua no Rio Tietê, comprometendo toda a bacia hidrográfica da região. Essa poluição agrava os problemas de um rio que já enfrenta severa contaminação.
Segundo o professor Jozrael, “Ao não tratar, você tem um problema ambiental sério: o Rio Bauru deságua no Rio Tietê, agravando os problemas de um rio que já vem poluído desde a região metropolitana”. A situação de Bauru é ainda mais crítica por ser o único dos 34 municípios da Unidade de Gerenciamento de Recursos Hídricos do Tietê-Jacaré (UGRHI-13) que não trata seu esgoto doméstico. Os demais municípios da bacia tratam praticamente a totalidade do esgoto gerado.
Considerando que Bauru concentra cerca de 400 mil habitantes, aproximadamente 25% da população total da bacia (1,6 milhão de pessoas), o impacto ambiental e sanitário é desproporcional. O professor Jozrael, membro do Comitê da Bacia Hidrográfica do Tietê-Jacaré, ressalta que “o único município que não trata o esgoto na nossa bacia é Bauru. Como representa 25% da população total, temos 400 mil habitantes lançando esgoto sem tratamento no Rio Bauru e, consequentemente, no Rio Tietê”.
Insegurança Hídrica e Soluções em Andamento
Além do grave problema do esgoto, Bauru enfrenta um crônico déficit no abastecimento de água. A dependência da bacia do Rio Batalha, um manancial de pequeno porte, representa um risco crescente diante do aumento da demanda. Essa insegurança hídrica se manifesta tanto na falta de água nas torneiras em períodos de seca quanto nos alagamentos causados por chuvas intensas.
Diante de mais de duas décadas sem avanços significativos na questão do esgoto, a Prefeitura de Bauru deu um passo importante. Foi homologada a licitação para a concessão do sistema de esgoto da cidade por 30 anos, incluindo a conclusão da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Vargem Limpa. O Consórcio Saneamento Bauru foi o vencedor, com uma proposta de desconto de 38% sobre a tarifa máxima. O contrato deve ser assinado em breve.
Perspectivas para o Futuro do Saneamento em Bauru
O professor Jozrael vê a concessão como um caminho possível, mas com ressalvas. “A privatização pode ser um caminho, haja vista que a autarquia não conseguiu resolver essa questão há mais de 20 anos. Mas é preciso critério: o processo deve ser muito bem conduzido e os termos de referência bem elaborados para não ‘comprar gato por lebre'”, alerta.
O consórcio será responsável pela conclusão da ETE Vargem Limpa, obra paralisada desde 2021, com retomada prevista para o segundo semestre e conclusão estimada até 2028. O contrato também abrange a implantação das ETEs Tibiriçá e Candeia, melhorias na rede de coleta e, a partir do quarto ano, obras de drenagem na Avenida Nações Unidas, com orçamento estimado em R$ 3,6 bilhões.
A prefeitura de Bauru, em nota ao g1, afirmou que trabalha para resolver de forma definitiva a questão do tratamento de esgoto, com a expectativa de que a concessão melhore o desempenho da cidade em rankings futuros. Os aportes em saneamento devem aumentar com a retomada das obras e os investimentos previstos no contrato. Quanto à segurança hídrica, o programa “Água de Todos” prevê a perfuração de poços e implantação de adutoras, visando reduzir a dependência do Rio Batalha.