Papa Francisco rebate críticas de Donald Trump e reafirma compromisso com a paz mundial
O Papa Francisco, o primeiro pontífice nascido nos Estados Unidos, respondeu firmemente às críticas de Donald Trump sobre seu posicionamento em relação à guerra entre EUA e Israel no Irã. Em declarações feitas a bordo do avião papal a caminho da Argélia, o Papa declarou que não teme a administração Trump e que suas mensagens de paz e reconciliação são fundamentadas nos ensinamentos do Evangelho.
“Colocar minha mensagem no mesmo patamar do que o presidente tentou fazer aqui, acho que é não entender qual é a mensagem do Evangelho”, disse Francisco à Associated Press. Ele lamentou as declarações, mas afirmou que continuará focado na “missão da igreja no mundo de hoje”.
As declarações do Papa surgem após um ataque verbal incomum de Trump no domingo, quando o ex-presidente americano criticou o Papa por ser “muito liberal” e por “atender à Esquerda Radical”. Trump também insinuou que o Papa não deveria concordar com a possibilidade de o Irã possuir armas nucleares e o acusou de ser “fraco”. Conforme informações divulgadas pela Associated Press, Trump chegou a postar uma imagem sugerindo poderes divinos.
Divergências sobre a guerra no Irã e a “ilusão de onipotência”
O Papa Francisco reiterou que seus apelos pela paz e suas críticas à “ilusão de onipotência” que alimenta conflitos globais não são ataques diretos a Trump ou a qualquer outra pessoa. Ele enfatizou que a mensagem do Evangelho é clara: “Bem-aventurados os pacificadores”.
“Não entrarei em debate. As coisas que digo certamente não são para atacar ninguém. A mensagem do Evangelho é muito clara: ‘Bem-aventurados os pacificadores'”, declarou o pontífice. Ele assegurou que não hesitará em anunciar a mensagem do Evangelho e convidar todos a buscarem pontes de paz e reconciliação, evitando a guerra sempre que possível.
Trump critica Papa Francisco por posição sobre Venezuela e eleições
As críticas de Trump se estenderam para além da questão iraniana. O ex-presidente acusou o Papa de ser “terrible para a política externa” e de não gostar de um líder religioso que critica a intervenção americana na Venezuela. Trump também sugeriu que a eleição de Francisco ao papado foi uma estratégia para lidar com ele.
“Se eu não estivesse na Casa Branca, Leo não estaria no Vaticano”, escreveu Trump em uma rede social, aconselhando o Papa a “se recompor”, usar “senso comum” e parar de “atender à Esquerda Radical”.
Reações da Conferência de Bispos Católicos dos EUA
Em resposta às declarações de Trump, o Arcebispo Paul S. Coakley, presidente da Conferência de Bispos Católicos dos Estados Unidos, expressou “desconforto” com os comentários do ex-presidente. “O Papa Francisco não é seu rival; nem o Papa é um político. Ele é o Vigário de Cristo que fala a partir da verdade do Evangelho e para o cuidado das almas”, afirmou Coakley.
Apesar de Trump ter obtido 55% dos votos católicos na eleição de 2024, segundo a AP VoteCast, sua administração manteve laços próximos com líderes evangélicos conservadores, que alegaram endosso divino para a guerra no Irã. O Secretário de Defesa Pete Hegseth chegou a pedir orações pela vitória “em nome de Jesus Cristo”.