Arquiteto do Interior de SP Leva Arte Sacra Brasileira para a Semana de Design de Milão: ‘Trajetória de Trabalho’ que Inspira

Arquiteto do Interior de SP Brilha na Semana de Design de Milão com Obra Inspirada em Arte Sacra

Pedro Paulo Pacheco, arquiteto de Botucatu, no interior de São Paulo, está entre os destaques da renomada Feira de Móveis de Milão, um dos maiores eventos de design do mundo. Sua participação marca um momento histórico, sendo ele o primeiro profissional do centro-oeste paulista a ser convidado de forma individual para expor no evento.

A exposição, que ocorre na Itália a partir desta terça-feira (21) e vai até domingo (26), tem como tema central da Fuorisalone, evento paralelo à feira, o conceito de “Essere Progetto”, que em português significa “Ser o Projeto”.

Conforme informado pelo g1, Pacheco, com 15 anos de carreira, considera o convite um reconhecimento internacional de sua trajetória. “Para mim, abrir essas portas para todos é algo surreal, é algo que, na realidade, sendo bem sincero, nunca imaginei que fosse ser nessa fase da minha vida. Eu achei que eu fosse levar mais tempo para conseguir isso”, afirmou.

Um Reconhecimento de Longa Trajetória

O processo para participar da Feira de Milão, segundo Pedro Paulo Pacheco, não se resume a uma inscrição, mas sim a uma construção de carreira. “É uma trajetória de trabalho”, explicou o arquiteto, destacando que seu projeto foi selecionado por uma banca de jurados.

Sua peça será apresentada na mostra “Brasil Behind Brazil”, que reúne exclusivamente designers brasileiros. Ao lado de outros 39 profissionais, Pacheco expressa sua admiração: “É algo único, porque são pessoas que a vida inteira eu admirei, outras pessoas que estão entrando no circuito agora que eu já admiro e já me inspiro, e ser inspiração para essas pessoas é realmente também único”.

Inspiração na Arte Sacra e na Cultura Brasileira

A obra que Pedro Paulo Pacheco leva para Milão é uma profunda imersão em suas origens, com inspirações diretas na arte sacra e nas religiões em geral. A peça é uma evolução dos tradicionais castiçais, utilizados em procissões, batizada de “Candeia Ybytu”.

O nome “Ybytu” tem origem indígena e significa sopro, vento ou ares, remetendo à própria origem do nome de Botucatu. “Gosto de estudar religiões. Eu acho que os objetos religiosos trazem muito da bagagem [da pessoa], eles se modificam e as pessoas acabam se inspirando nisso”, compartilhou o arquiteto sobre a essência de seu trabalho.

Da Formação à Reconhecimento Internacional

Formado em Bauru, Pedro Paulo Pacheco iniciou sua carreira com estágios e desenvolvimento de produtos e mobiliário. Após montar seu próprio escritório, ele se afastou por um tempo do desenvolvimento de produto, citando a complexidade de realizar esse trabalho individualmente no Brasil, que exige grande indústria e investimento.

Contudo, após cinco anos, ele retornou com mais segurança e foco. “Encontrei grandes fornecedores e parceiros e fui desenvolvendo muito produto para cliente”, relembra. “Eu me senti pronto agora para expor o meu trabalho em grandes feiras. Não imaginava que a primeira fosse ser a Feira de Milão.”

O Legado do Modernismo e Brutalismo Paulista

Pacheco também ressalta a singularidade da adaptação do Modernismo no Brasil, movimento arquitetônico que, embora não tenha nascido no país, encontrou no cenário brasileiro um “cerne” e um “grande expoente”.

Ele destaca ainda a relevância do Brutalismo Paulista, ou Escola Paulista, liderado por Vilanova Artigas e Paulo Mendes da Rocha nos anos 1960/70, conhecido pelo uso de concreto aparente e estruturas robustas, que valorizava os aspectos construtivos e a funcionalidade social.

O arquiteto acredita que o interior de São Paulo tem potencial para se tornar uma referência nacional e um polo de atração para talentos e produções reconhecidas internacionalmente, com sua participação em Milão sendo um passo importante nesse sentido.

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