Petróleo Acima de US$ 100: Tensões EUA-Irã e Bloqueio em Hormuz Agitam Mercados Globais

Petróleo volta a superar os US$ 100 em meio a tensões geopolíticas e bloqueios no Estreito de Hormuz

O preço do petróleo Brent, referência mundial, ultrapassou novamente a marca de US$ 100 o barril nesta quarta-feira (22). A commodity iniciou o dia em torno de US$ 98, chegou a cair para US$ 96,56 nas primeiras horas, mas recuperou terreno, atingindo US$ 100,39 às 5h30, com uma alta de 1,94% em relação ao fechamento do dia anterior.

A volatilidade reflete a instabilidade gerada pela prorrogação do cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã, que agora depende da apresentação de uma proposta por parte do regime iraniano. Além disso, a manutenção do bloqueio norte-americano no Estreito de Hormuz, por onde transita cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás, adiciona mais incerteza ao mercado. Conforme informação divulgada pelo g1, o Irã anunciou ter impedido a passagem de dois navios na rota nesta quarta-feira.

Essa situação complexa, que envolve declarações de ambos os lados e incidentes no estreito, coloca o mercado financeiro em um estado de observação, com reações mistas nas principais bolsas de valores globais. Analistas apontam para a possibilidade de uma escalada de tensões, apesar de alguns considerarem que o fechamento do Estreito de Hormuz já está precificado.

Volatilidade e Reação dos Mercados

Na terça-feira (21), o contrato de junho do petróleo Brent já havia superado os US$ 100, mas encerrou o dia em US$ 99,06 após o anúncio da prorrogação do cessar-fogo. A Guarda Revolucionária do Irã divulgou nesta quarta-feira ter apreendido dois navios que tentavam utilizar a rota do Estreito de Hormuz, alegando que uma das embarcações pertence ao “regime sionista”, em referência a Israel.

O Irã tem restringido o tráfego em Hormuz desde o início do conflito, permitindo a passagem apenas de embarcações autorizadas. Empresas de transporte marítimo indicam uma queda de 95% no tráfego pela via, que antes da guerra registrava a passagem diária de cerca de 140 embarcações. Essa restrição impacta diretamente a oferta global de petróleo.

Análise de Especialistas sobre o Cenário Geopolítico

Kyle Rodda, analista sênior de mercados financeiros da Capital.com, comentou que “o processo de paz parece instável novamente, à medida que algumas das difíceis realidades da guerra vêm à tona”. Ele acrescentou que “o risco é que a dinâmica política interna do Irã e as tensões estratégicas entre os EUA e o Irã —sem mencionar Israel— mantenham uma inércia em direção à escalada”.

Por outro lado, Matt Simpson, analista sênior de mercado da StoneX, sugere que “parece que os mercados estavam certos ao presumir que o pico de incerteza da guerra ficou para trás”. Ele acredita que “o apetite por risco provavelmente continuará elevado, e as quedas serão vistas com bons olhos pelos otimistas do mercado de ações. O fechamento do estreito de Hormuz já está precificado”.

Bolsas Mundiais em Pauta

Diante deste cenário, as Bolsas da Europa operam com estabilidade nesta quarta-feira. O índice Euro STOXX 600 apresentava uma leve queda de 0,07% às 9h40, com movimentos similares em Frankfurt (-0,14%), Londres (-0,09%) e Paris (-0,34%). Madri registrava uma desvalorização mais acentuada de 0,57%, enquanto Milão mostrava leve alta de 0,03%.

Na Ásia, o índice CSI300, que compila as principais companhias de Xangai e Shenzhen, subiu 0,66%, alcançando seu maior nível desde 14 de janeiro. O índice SSEC, em Xangai, fechou em alta de 0,52%, seguindo a tendência de Tóquio (0,4%) e Seul (0,46%). A Bolsa de Hong Kong, contudo, apresentou queda de 1,22%.

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