Brasil Tem Montanhas? Geógrafo Revela Nova Lista das Mais Altas e Desmistifica Crenças Antigas

Brasil Tem Montanhas? Geógrafo Revela Nova Lista das Mais Altas e Desmistifica Crenças Antigas

A ideia de que o Brasil não possui montanhas é um mito persistente, alimentado por teorias geográficas ultrapassadas. No entanto, a realidade é que o país abriga formações rochosas imponentes e desafiadoras, que atraem montanhistas e exploradores.

Geógrafos e montanhistas experientes, como Pedro Hauck, defendem a existência de montanhas no Brasil, baseando-se em conceitos modernos de geomorfologia. A polêmica surge de antigas classificações que consideram o relevo brasileiro como “antigo” e, consequentemente, apenas “morros”.

Este artigo desvenda a controvérsia, apresenta o conceito científico de montanha e revela a primeira lista das montanhas mais altas do Brasil segundo critérios internacionais. Prepare-se para ver o relevo brasileiro com outros olhos.

A Controvérsia das Montanhas Brasileiras: Teoria Antiga vs. Realidade Geomórfica

A discussão sobre a existência de montanhas no Brasil remonta a teorias geográficas do passado, notavelmente a de William Morris Davis, elaborada em 1899. Davis classificava o relevo em “jovens”, com levantamentos abruptos e escarpados, e “velhas”, desgastadas pela erosão e com altitudes menores.

Segundo essa visão, as montanhas brasileiras seriam “antigas”, o que levou à simplificação de considerá-las meros “morros”. Essa teoria, apesar de ultrapassada pela ciência moderna que reconhece a dinâmica constante de erosão e tectonismo, ainda influencia o ensino tradicional.

O geógrafo Pedro Hauck, com 27 anos de experiência em montanhismo, contesta essa visão, destacando a presença de relevos montanhosos por todo o território nacional. Ele cita exemplos como o majestoso Monte Roraima, no extremo norte, e o Pico da Neblina, o cume mais alto do Brasil, com quase 3 mil metros de altitude.

O Conceito Científico de Montanha: Desnível Topográfico e Índice de Dominância

Na Geomorfologia, o conceito de “montanha” não se baseia em sua origem genética, mas sim em seu desnível topográfico. Geralmente, considera-se montanha uma forma de relevo com um **desnível superior a 300 metros**. Essa definição, embora útil, pode ser simplista em contextos globais.

Para uma classificação mais precisa e internacionalmente reconhecida, Eberhard Jurgalski desenvolveu o **Índice de Dominância**. Este índice mede a proeminência de um pico em relação à sua altitude total, expressa em porcentagem. Um pico é considerado uma montanha independente se seu Índice de Dominância for superior a 7%.

O Índice de Dominância é crucial para diferenciar montanhas de cumes secundários. Por exemplo, o Pico 31 de Março, o segundo cume mais alto do Brasil, é considerado um subcume do Pico da Neblina por sua baixa proeminência, apesar de sua altitude expressiva. O conceito geográfico de 300 metros de proeminência também deixaria de fora montanhas famosas.

A Nova Lista das Montanhas Mais Altas do Brasil: Uma Perspectiva Atualizada

A lista tradicionalmente divulgada pelo IBGE foca em cumes, e não necessariamente em montanhas independentes. Utilizando o Índice de Dominância, Pedro Hauck compilou a primeira lista das montanhas mais altas do Brasil, apresentando uma nova perspectiva sobre o relevo nacional.

Esta nova classificação revela que nomes como o 31 de Março deixam de figurar como montanhas independentes, enquanto novas formações emergem, incluindo montanhas sem nome oficial, como o “Pico 2602”, a décima montanha mais alta segundo este critério. A lista das 20 montanhas mais altas, com seus respectivos dados de proeminência e dominância, oferece uma visão mais fiel da geografia brasileira.

A análise demonstra que, ao aplicar critérios internacionais e aprimorados, o Brasil possui **montanhas notáveis e inquestionáveis**. A confusão histórica se deve a teorias desatualizadas e a uma interpretação simplista do que constitui uma montanha.

Com a aplicação do Índice de Dominância, é possível ter uma **classificação justa e precisa das montanhas brasileiras**, desmistificando a ideia de que o país não possui relevos montanhosos significativos. A diversidade e a imponência das formações rochosas brasileiras são, enfim, reconhecidas.

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