Do 6 a 0 vexatório ao sonho do tetra: São Paulo se afunda enquanto Palmeiras e Flamengo disputam a glória da Libertadores

São Paulo: O espelho de um passado glorioso e um presente de reflexão na Libertadores

Há duas décadas, o cenário do futebol sul-americano era dominado por um São Paulo de organização exemplar, estrutura de ponta e gestão rigorosa. Um time talentoso e batalhador que colecionou títulos, inclusive o inédito tricampeonato da América. Essa era dourada, que culminou com a conquista do mundo sobre um Liverpool invicto, parecia prenunciar uma nova era de hegemonia brasileira, com o São Paulo se tornando o “Bayern de Munique” do Brasil.

No entanto, a inspiração que deveria ter vindo do sucesso tricolor acabou por impulsionar rivais. Palmeiras e Flamengo, inspirados em gigantes como Real Madrid e Barcelona, assumiram a liderança do futebol nacional. Se antes ambos tinham uma Libertadores, hoje lutam pelo tetra, enquanto o São Paulo, outrora soberano, amarga um humilhante 6 a 0 contra o Fluminense.

A dolorosa derrota no Maracanã, em uma noite de quinta-feira, serve como um sintoma claro do momento vivido pelo clube. Ver outros times disputarem o título que um dia foi seu por tanto tempo, e ainda sonharem com o tetra, é um golpe duro para o torcedor são-paulino. Foi o Tricolor, nos tempos de Telê Santana, que redefiniu a Libertadores no Brasil, foi ele que conquistou o terceiro título e esteve perto do tetra.

A raiz do problema, conforme apontado por análises recentes, reside nos verbos no passado: foi, era, ganhou, teve. Palavras que definem a trajetória de um clube que parece ter ficado preso a um glorioso passado, enquanto o presente o confronta com duras realidades. A instituição e seus dirigentes, em movimentos que pareciam banais, acabaram por construir o cenário atual.

A soberba e os erros que custaram caro

A soberba de um clube que se acreditava indestrutível, o terceiro mandato de Juvenal Juvêncio que desafiou o estatuto, e a briga pública com CBF e Fifa que resultou na exclusão do Morumbis da Copa do Mundo de 2014, são apenas alguns dos episódios que marcaram a derrocada. A gestão de Carlos Miguel Aidar, mesmo com suas ideias revolucionárias nos anos 1980, terminou em impeachment.

Os reveses nos bastidores, a perda de relevância em campo e fora dele, e os milhões investidos em um jogador que não entregou o esperado, mas que continua a pesar financeiramente nos cofres do clube, são exemplos de decisões questionáveis. A destruição de ídolos que acreditaram em promessas vazias e o consequente derretimento de uma paixão que antes lotava estádios, mesmo em momentos ruins, completam o quadro.

Um presente de dificuldades e um futuro incerto

O famoso transfer ban, os inúmeros empréstimos e as dezenas de lesões são reflexos de uma gestão que demonstra esgotamento, mesmo com mais um ano de mandato pela frente. Nada disso acontece por acaso, como bem expressou o jogador Luiz Gustavo, indignado após a derrota no Maracanã, contestando a visão de que o São Paulo ainda é uma referência.

A única referência que o clube demonstra hoje é de “o que não fazer”. O ano de 2025 se avizinha como o ápice de uma gestão considerada desastrosa, que deixou o clube à deriva e afastou a torcida quando ela começava a despertar para protestos necessários. As palavras de Luiz Gustavo ecoam o sentimento de quem vive o São Paulo por dentro e constata o estrago.

A dura realidade pós-topo do mundo

Vinte anos após tocar o topo do mundo pela última vez, a realidade do São Paulo é cruel, mas verdadeira. A pergunta que paira no ar é: “Tenho Libertadores?”. A resposta é que todos os 12 grandes clubes do Brasil a possuem. A questão sobre alugar estádio, com a Vila Belmiro servindo de refúgio para o Santos, desmente qualquer alegação de necessidade de um local específico.

E sobre ser hexa brasileiro, há quem tenha o dobro do número de títulos. A afirmação de “nunca ter sido rebaixado” pode, em breve, ser questionada. A maior vergonha, neste cenário, é a próxima, indicando que o ciclo de dificuldades pode ainda não ter chegado ao fim.

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