OMS divulga diretrizes inéditas sobre canetas emagrecedoras: entenda como usar GLP-1 no tratamento da obesidade

OMS lança primeiras diretrizes para canetas emagrecedoras no tratamento da obesidade crônica

A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou nesta segunda-feira, 1º de julho, suas primeiras orientações sobre o uso de medicamentos da classe GLP-1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras, para o tratamento da obesidade crônica em adultos. A iniciativa visa oferecer um guia para o manejo dessa condição de saúde que afeta globalmente mais de 1 bilhão de pessoas.

Esses fármacos, inicialmente desenvolvidos para o controle da diabetes, demonstraram significativa eficácia na perda de peso, impulsionando seu uso como aliados no combate à obesidade. A OMS reconhece o potencial dessas substâncias, mas reforça que seu emprego deve ser parte de uma estratégia mais ampla.

A obesidade é uma doença crônica complexa e as novas diretrizes da OMS chegam em um momento crucial, onde as projeções indicam um agravamento da crise se ações efetivas não forem tomadas. Conforme informação divulgada pela OMS, mais de 3,7 milhões de mortes em 2024 foram atribuídas a doenças relacionadas à obesidade, e há um alerta de que o número de adultos obesos pode dobrar até 2030.

O que dizem as novas diretrizes da OMS sobre GLP-1

As recomendações da Organização Mundial da Saúde enfatizam que os medicamentos GLP-1 devem ser considerados para o tratamento de longo prazo da obesidade em adultos, com a ressalva de que gestantes não devem utilizá-los. Embora a eficácia desses fármacos seja comprovada por estudos, a OMS aponta que ainda existem lacunas em relação à segurança e aos efeitos a longo prazo do uso contínuo.

É fundamental ressaltar, conforme a OMS, que a medicação por si só não é a solução. As diretrizes orientam que o uso das canetas emagrecedoras deve ser obrigatoriamente combinado com mudanças significativas no estilo de vida. Isso inclui a prática regular de atividade física, que é essencial para a saúde geral e para a manutenção do peso.

Além disso, a organização destaca a importância de políticas públicas robustas que promovam ambientes mais saudáveis. Essas políticas são cruciais para reduzir os fatores de risco associados à obesidade, como o acesso facilitado a alimentos ultraprocessados e a falta de espaços seguros para a prática de exercícios.

Abordagem integrada para combater a obesidade

Jeremy Farrar, subdiretor-geral da OMS, enfatizou que, embora os medicamentos GLP-1 sejam ferramentas valiosas, eles não devem ser vistos como uma “solução mágica”. Ele reforça a necessidade de que esses fármacos se tornem uma “parte central de uma abordagem integrada” para o tratamento da obesidade.

A OMS também expressou preocupação com o alto custo desses medicamentos, o que pode dificultar o acesso para populações em países mais pobres. A escassez de GLP-1 já tem sido um problema para pacientes com diabetes, que foram os primeiros beneficiados por esses tratamentos, e a expansão do uso para a obesidade pode agravar essa situação.

Acesso e produção de genéricos

Em reconhecimento à importância desses medicamentos, a OMS incluiu os GLP-1 em sua lista de medicamentos essenciais em setembro. A organização defende ativamente a ampliação da produção de versões genéricas desses fármacos. O objetivo é tornar o tratamento mais acessível globalmente e garantir que mais pessoas possam se beneficiar, tanto para diabetes quanto para a obesidade.

A publicação destas diretrizes pela OMS representa um passo importante no reconhecimento e manejo da obesidade como uma doença crônica, oferecendo um caminho mais estruturado para profissionais de saúde e pacientes que buscam alternativas eficazes e seguras.

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