Jornalista Marina Demori Compartilha o Impacto Emocional da Cobertura da Pandemia de Covid-19
A jornalista Marina Demori, atual apresentadora do SBT News, concedeu uma entrevista reveladora ao Programa Flávio Ricco da LeoDias TV, onde revisitou um dos momentos mais desafiadores de sua carreira: a cobertura da pandemia de Covid-19. Ela descreveu o período como uma mistura de medo, incerteza e a enorme responsabilidade de informar a população em um cenário de crise global.
Demori não hesitou em afirmar que a pandemia abalou profundamente os jornalistas, mesmo os mais experientes. Sua situação pessoal se tornava ainda mais complexa por manter um relacionamento com um profissional da área da saúde, o que exigia cuidados redobrados para evitar qualquer risco de contágio. A distância da família, que reside em Goiânia, forçou-a a ficar meses sem vê-los, intensificando o sentimento de isolamento.
“Eu saía de casa todos os dias pra trabalhar e na época eu tinha relacionamento com uma pessoa que era da área da saúde. Tínhamos uma dinâmica para administrar e evitar qualquer tipo de contato com outras pessoas. Minha família mora em Goiânia e eu estava no interior a trabalho, então fiquei meses sem ver meus pais e meus avós”, relatou a jornalista.
Adaptações Radicais no Ambiente de Trabalho Durante a Pandemia
O trabalho em campo também impôs mudanças drásticas. Marina Demori explicou que, mesmo ao lado de seu cinegrafista, o uso constante de máscaras e, em alguns momentos, de visores plásticos, criava uma barreira física e emocional. A interação com colegas era minimizada, com a redação implementando escalas rigorosas para evitar aglomerações e manter o distanciamento social entre a equipe.
“No trabalho também era desafiador, porque estava com meu cinegrafista mas usávamos o tempo todo máscara e uma época um visor na frente do rosto, um plástico, uma coisa horrorosa. Eu só tinha contato com o meu cinegrafista e os outros colegas, a gente não se encontrava”, descreveu Demori.
O Medo de Reportar a Realidade Alarmante da Covid-19
A jovem jornalista, que estava consolidando o início de sua carreira, foi exposta a cenas que deixaram marcas profundas em sua memória. A cobertura incluiu idas à porta de hospitais, mostrando a situação crítica, e entrevistas com pessoas que haviam perdido entes queridos para o vírus. Essa experiência foi descrita por ela como “muito assustador e muito difícil também”.
Flávio Ricco, ao ouvir o relato, compartilhou a dor que sua própria família enfrentou, mencionando uma nora infectologista e a tristeza indescritível que ela trazia para casa. Esse comentário reforçou a dimensão do trauma vivido por todos os profissionais na linha de frente contra a Covid-19.
O Drama Pessoal: Pai Internado Durante o Pico da Pandemia
O momento mais doloroso para Marina Demori durante a pandemia foi a internação de seu pai. Ela revelou que, felizmente, não perdeu ninguém para a doença, mas seu pai precisou ficar 17 dias entubado em um hospital que, na época, estava lotado. Essa experiência pessoal intensificou ainda mais o medo e a angústia que ela já sentia ao cobrir a crise sanitária.
O diálogo entre Marina Demori e Flávio Ricco destacou não apenas os desafios inerentes ao telejornalismo em uma crise de saúde global, mas também a complexa intersecção entre a vida pessoal e a responsabilidade profissional que marcou a rotina de incontáveis jornalistas em todo o mundo durante aquele período sem precedentes.
É importante notar que, em 2025, o vírus da Covid-19 continua circulando globalmente, embora com menor intensidade. Dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que, no Brasil, entre janeiro e setembro de 2025, foram registrados 7.114 casos graves e 1.080 óbitos. Especialistas alertam que a ameaça persiste devido às mutações contínuas do vírus.