Delegado preso por desvio milionário na educação é flagrado com celular em cela e usava nome falso
O Ministério Público de Goiás (MPGO) apreendeu um celular em posse do delegado Dannilo Ribeiro Proto, que está preso preventivamente sob suspeita de desviar aproximadamente R$ 2,2 milhões de verbas destinadas à educação pública. O aparelho foi encontrado na Delegacia de Investigações de Homicídios (DIH), em Goiânia, durante uma operação de busca e apreensão realizada na quinta-feira, 18 de janeiro.
As investigações apontam que o delegado continuava realizando contatos externos irregulares, mesmo após sua prisão, utilizando o aparelho celular dentro da própria unidade policial. Entre as atividades ilícitas apuradas, estão cobranças consideradas incisivas feitas a ex-alunos de um instituto de ensino que pertence ao investigado. A apreensão é um desdobramento da Operação Regra Três.
Conforme divulgado pelo MPGO, o delegado é apontado como líder de uma organização criminosa desarticulada na primeira fase da operação. Após a nova medida, Dannilo Proto foi transferido para uma unidade prisional vinculada à Diretoria-Geral de Polícia Penal (DGPP). A Polícia Civil de Goiás, por sua vez, alegou não ter conhecimento do uso do celular.
Operação Regra Três investiga organização criminosa
A apreensão do celular foi realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e faz parte de um desdobramento da Operação Regra Três, que teve início em 21 de agosto de 2025. Esta operação apura a existência de uma organização criminosa e fraudes em recursos públicos, com foco em desvios na área da educação.
Segundo o Ministério Público, Dannilo Proto é considerado o líder da organização criminosa que foi desarticulada na fase inicial da operação. As investigações indicam que ele utilizava o celular apreendido para enviar mensagens de áudio e texto de dentro da cela, chegando a usar um nome falso para contatar uma ex-aluna, o que configura um claro descumprimento das determinações judiciais.
Polícia Civil nega conhecimento do uso de celular na cela
Em nota oficial, a Polícia Civil de Goiás (PCGO) declarou que não tinha conhecimento da permanência ou do uso de celular por custodiados na cela da DIH, contrariando as informações divulgadas pelo MPGO. A corporação informou que, em 25 de agosto, o delegado titular da unidade apreendeu dois celulares com outro preso, e que a Corregedoria da PCGO instaurou um procedimento para apurar o caso.
A PCGO acrescentou que uma nova correição foi realizada em 27 de novembro, após denúncias veiculadas na imprensa, e que nenhum aparelho eletrônico foi encontrado. Segundo a Polícia Civil, o delegado Dannilo Proto já havia sido transferido e isolado na carceragem da Delegacia Estadual de Capturas no dia 14 de novembro. A instituição reiterou seu compromisso com a legalidade e a apuração rigorosa de eventuais irregularidades.
Delegado responde por diversos crimes graves
Dannilo Proto está preso desde 21 de agosto e foi denunciado pelo MPGO por seu envolvimento em um esquema de desvio de verbas destinadas a escolas estaduais em Rio Verde, no sudoeste goiano. Além disso, ele é investigado por fraudes em contratações públicas. A denúncia também envolve a esposa do delegado e outras sete pessoas que estão sendo investigadas.
O Ministério Público informou que, devido à complexidade do esquema e ao grande número de envolvidos, serão apresentadas duas denúncias distintas. Dannilo Proto responde por crimes como organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, prevaricação, ameaça, contratação ilegal e uso de documentos falsos. A situação reforça a gravidade das acusações contra o delegado.