Alexandre Ramagem foragido nos EUA: STF decreta prisão de deputado após condenação
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, assinou nesta sexta-feira (21/11) a ordem de prisão preventiva contra o deputado federal Alexandre Ramagem. A decisão ocorreu após a Polícia Federal (PF) confirmar que o parlamentar, condenado no processo relacionado ao plano golpista, deixou o Brasil e se estabeleceu nos Estados Unidos.
Relatórios indicam que Ramagem teria deixado o país ainda em setembro, período em que seu caso foi julgado pela Primeira Turma do STF. O deputado alegou licença médica na Câmara dos Deputados por 30 dias, renovada até dezembro, mas não retornou ao território brasileiro nesse intervalo.
A fuga de Alexandre Ramagem para os EUA, onde estaria residindo em um condomínio em Miami, levanta sérias questões sobre a tentativa de evasão da justiça brasileira. A Câmara dos Deputados informou que não foi oficialmente comunicada sobre a saída do parlamentar do país e que não autorizou qualquer viagem internacional em missão oficial. Conforme apurado pelo g1, a situação se agrava com a descoberta de que Ramagem chegou a solicitar um celular com roaming internacional para participar remotamente de votações, o que é vedado pelas regras internas da Casa.
Ramagem condenado a mais de 16 anos de prisão
A determinação de Alexandre de Moraes para a prisão de Ramagem foi tomada após a publicação do acórdão que rejeitou os últimos recursos apresentados pelo deputado e outros réus, incluindo Jair Bolsonaro. Com isso, o caminho se torna livre para a execução das penas, aumentando a pressão sobre os condenados. No caso de Alexandre Ramagem, a pena imposta é de **16 anos e um mês de reclusão, em regime fechado**, além da perda do cargo na PF e o pagamento de multa.
Acusações contra o ex-diretor da Abin
Alexandre Ramagem, que atuou como diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Bolsonaro, é acusado de liderar uma **estrutura clandestina de espionagem** dentro da agência. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), Ramagem teria comandado uma “Abin paralela” com o objetivo de atender a interesses políticos do então presidente.
Apesar de negar veementemente seu envolvimento nas acusações, Ramagem foi o **único dos 8 réus a ser condenado por 3 crimes** no julgamento. Sua condenação e subsequente fuga para os Estados Unidos reforçam as alegações de que ele tentava se esquivar das consequências legais de seus atos.
Estratégia de fuga: um padrão entre investigados?
A decisão de Alexandre Ramagem de deixar o país e residir nos Estados Unidos segue uma estratégia observada em outros parlamentares investigados em processos relacionados aos atos de 8 de Janeiro. Casos recentes incluem o senador Marcos do Val, que viajou para os EUA mesmo com o passaporte retido por ordem judicial, e a deputada Carla Zambelli, que chegou a ser detida em Roma após fugir para evitar o cumprimento de sentença.
Até o momento, **Alexandre Ramagem não se pronunciou publicamente** sobre a ordem de prisão decretada pelo STF nem respondeu às acusações que pesam contra ele. A situação jurídica do deputado se torna cada vez mais complexa com sua condição de foragido internacional.
