Antigo Edifício da Telesp no Centro de SP se Transforma em Complexo Imobiliário e Gastronômico de Alto Padrão
Um marco histórico no centro de São Paulo, o antigo edifício sede da Telesp (Telecomunicações de São Paulo), localizado ao lado da estação República do metrô, está prestes a renascer como um complexo multifuncional. O projeto, que sofreu um leve atraso e agora tem previsão de inauguração para julho deste ano, apresentará o Ramal, um inovador polo gastronômico e de eventos, e o Basílio 177, um empreendimento imobiliário residencial.
A empreendedora Metaforma, em parceria com os investidores BR Capital, Unitas, Starboard Partners e Maker Uno, lidera a revitalização deste espaço. Bruno Scacchetti, CEO da Metaforma, destaca a singularidade do projeto e o potencial da região central de São Paulo para se tornar um dos principais polos urbanos na próxima década.
O empreendimento é um dos primeiros grandes lançamentos na região central desde o anúncio da mudança do novo centro administrativo do Governo de São Paulo para Campos Elíseos, através de uma Parceria Público-Privada (PPP). Conforme informação divulgada pela Metaforma, o investimento total no projeto soma um Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 280 milhões.
Um Complexo com História e Modernidade
O Basílio 177 contará com três torres residenciais, integrando uma torre original de 1939, projetada pelo renomado Escritório Técnico Ramos de Azevedo & Severo Villares, uma torre modernizada dos anos 1950 e uma nova construção. Ao todo, serão 274 apartamentos, com metragens variando de 35 m² a 130 m², e preços que vão de R$ 600 mil a R$ 3 milhões. As torres mais antigas possuem dez andares cada, enquanto a nova torre se eleva por 13 andares.
O espaço total do empreendimento abrange 35 mil m², e além das unidades residenciais, oferecerá comodidades como academia, brinquedoteca, salão de festas, piscina e um bar no topo (rooftop). A construtora responsável pela obra é a Rocontec.
Ramal: O Novo Polo Gastronômico da Cidade
No térreo do Basílio 177, o Ramal ocupará 3.000 m², funcionando como uma galeria que interliga as ruas Basílio da Gama e 7 de Abril. Com um investimento de R$ 50 milhões, o espaço foi concebido no modelo de “food hall”, uma evolução das praças de alimentação tradicionais. Serão 25 restaurantes distintos operando no local, com um sistema de serviço unificado, onde o cliente faz seu pedido e paga em um único ponto, independentemente do estabelecimento escolhido.
O Ramal, capitaneado pela Fábrica de Bares, conhecida por empreendimentos como o Bar Brahma e o Blue Note, promete ser um centro vibrante com música ao vivo, exposições e espaço para eventos. Cairê Aoas, fundador da Fábrica de Bares, expressa o desejo de manter o local aberto 24 horas, dependendo da demanda dos clientes. A curadoria gastronômica é assinada por Rosa Moraes, reconhecida por seu trabalho no ranking 50 Best.
O espaço terá capacidade para 600 pessoas e a expectativa é receber mais de 100 mil visitantes por mês. Cada um dos 25 restaurantes oferecerá um cardápio enxuto, com até sete itens, permitindo aos clientes experimentar a gastronomia autoral de chefs renomados a preços acessíveis, com um custo médio de refeição entre R$ 50 e R$ 60. A Metaforma e a Fábrica de Bares chegaram a tentar trazer a franquia Time Out Market para São Paulo, mas as negociações não avançaram devido aos altos custos.
O Legado Histórico e o Debate sobre Gentrificação
O edifício original, em estilo art déco e inaugurado em 1939, é tombado desde 1992, garantindo a preservação de suas características externas. Ao longo da galeria do Ramal, serão expostos maquinários que faziam parte das operações telefônicas históricas do local. O prédio foi sede da Companhia Telefônica Brasileira (CTB) e, posteriormente, da Telesp, antes de passar para a Telefônica após a privatização do setor em 1998.
O empreendimento faz parte do programa Requalifica Centro da prefeitura, que visa estimular a modernização de prédios antigos na região central com incentivos fiscais. Embora a iniciativa seja vista como uma forma de combater o esvaziamento urbano e impulsionar a economia, levanta debates sobre gentrificação. Raquel Rolnik, professora da FAU-USP, questiona se o projeto atende às necessidades da população de baixa renda, lembrando que cerca de 80% do déficit habitacional de São Paulo está na faixa de até 3 salários mínimos.
Kazuo Nakano, professor da Unifesp, aponta que o projeto de mudança da sede do governo para Campos Elíseos pode intensificar a gentrificação no centro, transformando áreas históricas em zonas nobres. Ele defende a necessidade de o poder público garantir a permanência de moradias populares e o acesso a comércio e serviços para a população de baixa renda na região central.
A assessoria do governador Tarcísio de Freitas afirma que o objetivo do projeto de centralização das secretarias estaduais é tornar o centro mais seguro e valorizado, além de racionalizar serviços e reduzir despesas. Atualmente, 12 das 24 secretarias estaduais estão distribuídas em 44 endereços distintos na capital, o que gera ineficiência operacional e altos custos de locação e manutenção. A conclusão deste projeto de centralização está prevista para 2030.
