Arsenal conquista a Copa dos Campeões Feminina contra o Corinthians em jogo acirrado, evidenciando a diferença de investimentos no futebol feminino mundial.
A final da Copa dos Campeões Feminina da FIFA, disputada em Londres, coroou o Arsenal como campeão após uma vitória apertada por 3 a 2 sobre o Corinthians. As jogadoras brasileiras, conhecidas como “As Brabas”, demonstraram grande resiliência e lutaram bravamente até o último minuto, forçando a prorrogação com um gol de pênalti nos acréscimos do tempo regulamentar.
A partida, que reuniu as campeãs continentais, foi um verdadeiro espetáculo de futebol, com o Corinthians buscando a igualdade em duas ocasiões após estar em desvantagem. No entanto, a superioridade técnica e a estrutura mais robusta do clube inglês fizeram a diferença, especialmente no tempo extra, selando o destino da primeira edição deste torneio mundial.
Este confronto, além de decidir um título inédito, trouxe à tona a significativa disparidade financeira e estrutural entre o futebol feminino europeu e o sul-americano. Conforme aponta um relatório da consultoria Deloitte, 14 dos 15 clubes de futebol feminino com maior faturamento no mundo são europeus, evidenciando um cenário de investimentos muito mais expressivos no continente.
Arsenal se impõe com gols e controle de jogo
Desde o início, o Arsenal impôs seu ritmo, controlando a posse de bola e limitando os espaços para o Corinthians. O clube britânico abriu o placar aos 14 minutos, mas a resposta das “Brabas” não tardou. Aos 20 minutos, Gabi Zanotti empatou em uma jogada de escanteio, levando a torcida brasileira ao delírio.
No segundo tempo, o Arsenal retomou a liderança aos 12 minutos, um gol que parecia encaminhar o título. Contudo, a persistência do Corinthians culminou em um pênalti nos minutos finais, convertido por Vic Albuquerque, que forçou a prorrogação. A comemoração brasileira, no entanto, foi breve, pois aos 13 minutos do tempo extra, o Arsenal marcou o gol decisivo.
A força do futebol europeu e a realidade brasileira
A final ressaltou a força do futebol feminino europeu, impulsionado por investimentos volumosos. O Arsenal, por exemplo, registrou uma receita de € 25,6 milhões (R$ 158 milhões) na última temporada, com expressivos ganhos em bilheteria, direitos de transmissão e acordos comerciais. A UEFA, por sua vez, anunciou um plano de investir € 2,4 bilhões (R$ 15 bilhões) no futebol feminino europeu até 2030.
Em contraste, o cenário brasileiro ainda enfrenta desafios significativos em termos de profissionalização e estabilidade financeira. O Corinthians, um dos clubes mais estruturados do país, previu R$ 10,4 milhões em patrocínios para o futebol feminino em 2024, e o título da Libertadores rendeu cerca de R$ 11 milhões. A Conmebol, por outro lado, é criticada por seus aportes modestos.
Corinthians, uma exceção no cenário nacional
Apesar da derrota, o desempenho do Corinthians na Copa dos Campeões Feminina foi notável. O clube, que dominou o futebol sul-americano nos últimos anos, chegou à final de forma surpreendente após vencer o Gotham FC, dos Estados Unidos, nas semifinais. A equipe “As Brabas” é um projeto consolidado desde 2016, com orçamento estável e investimentos em base e elenco, o que lhe permitiu conquistar múltiplos títulos nacionais e continentais.
A estrutura do Corinthians é uma exceção no cenário brasileiro e sul-americano, evidenciando que, mesmo diante de um gigante europeu, a garra e a organização podem levar a equipe a competir em alto nível. A luta do time paulista na final, no entanto, sublinha a necessidade de maiores investimentos e desenvolvimento para o futebol feminino na América do Sul.
