Banco Master, fraude de R$ 12 bilhões e liquidação pelo BC, entenda as conexões com políticos, ministros e influenciadores envolvidas no caso

Investigue o caso Banco Master, suspeita de fraude de R$ 12 bilhões, liquidação pelo Banco Central, o maior resgate do FGC, e quem são os envolvidos políticos e influenciadores

O caso do Banco Master virou um dos maiores episódios financeiros recentes no Brasil, por envolver prisões, liquidação pelo Banco Central e suspeitas de fraudes bilionárias.

O dono do banco, Daniel Vorcaro, foi preso em operação da Polícia Federal que apura emissão de títulos de crédito falsos e o uso de carteiras de crédito consignado simuladas.

As informações reunidas sobre ligações políticas, contratos com advogados influentes e a solicitação de apoio de atores públicos compõem a investigação, conforme informações divulgadas pela Folha.

Como surgiu o Banco Master

Vorcaro comprou participação no Banco Máxima em 2017, assumiu o controle em 2019 e rebatizou a instituição como Master em 2021.

O banco cresceu com uma estratégia agressiva de captação, oferecendo CDBs com remuneração muito acima do mercado, chegando a vender papéis com retorno de 120% do CDI em agosto deste ano.

Pressionado pelas dificuldades de liquidez, o Master aceitou proposta de compra pelo BRB em março, mas o negócio foi rejeitado pelo Banco Central em setembro, por risco de sucessão.

Quem é Daniel Vorcaro e as conexões que cercam o caso

Além do controle do banco, Vorcaro movimentou-se publicamente em negócios e eventos de alto padrão, e investiu em ativos como o projeto Fasano Itaim e na SAF do Atlético-MG, com aporte de R$ 300 milhões que lhe garantiu 27% da participação.

Antes de sua prisão, Vorcaro cultivou laços com políticos e autoridades, aproximando-se de nomes como o senador Ciro Nogueira e Antonio Rueda, e contratou consultores e ex-autoridades, entre eles Ricardo Lewandowski, Gustavo Loyola, Henrique Meirelles e Guido Mantega.

O banco também pagou contratos elevados, por exemplo, ao escritório de familiares do ministro Alexandre de Moraes, no valor de R$ 3,6 milhões mensais, para atuar na defesa dos interesses da instituição.

A investigação, as suspeitas de fraude e dados citados pelas autoridades

A operação da Polícia Federal que prendeu Vorcaro, segundo a direção da PF, “envolve uma fraude estimada em R$ 12 bilhões”, afirmou o diretor-geral Andrei Passos.

Investigadores suspeitam que o Master usou a negociação com o BRB para mascarar a fabricação de carteiras de consignado formadas por tomadores inexistentes, o que teria inflado o balanço do banco.

Há também apurações sobre possível pressão política para que a negociação com o BRB fosse aprovada, e sobre a proposta da Fictor Holding Financeira, que pode ter sido um simulacro para facilitar uma fuga do país.

Outra linha investigativa aponta que fundos geridos pela Reag compraram ativos de baixo valor, como certificados de ações do extinto Besc, e os registraram como se valessem milhões, permitindo saques e possíveis desvios a pessoas ligadas ao Master.

Liquidação, impacto no FGC, TCU, STF e a batalha nas redes

Horas após a prisão de Vorcaro e a divulgação da proposta da Fictor, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master, medida aplicada quando a situação é considerada irrecuperável.

O BC justificou a decisão em comunicado, citando “a grave crise de liquidez do conglomerado Master” e “graves violações às normas que regem a atividade das instituições integrantes do SFN”, em palavras publicadas pelos órgãos responsáveis.

A liquidação acionou o Fundo Garantidor de Créditos, que terá de honrar cerca de R$ 41 bilhões para aproximadamente 1,6 milhão de credores, com cobertura de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, o que representa o maior desembolso da história do FGC.

Autoridades avaliam que o caso não traz risco sistêmico imediato, pois o FGC tem cerca de R$ 122 bilhões em caixa, mas o impacto sobre clientes e confiança é relevante.

No plano institucional, o TCU passou a questionar a conduta do Banco Central na liquidação, com o ministro Jhonatan de Jesus inicialmente requisitando inspeção in loco no BC, e recuando depois diante de pressões e discussões internas.

Paralelamente, ao menos 46 perfis em redes sociais intensificaram ataques ao Banco Central e aos investigadores, publicando conteúdo enviesado em defesa do Master e criticando a liquidação, numa guerra jurídica e narrativa que alcançou o STF e outros tribunais.

O caso segue em investigação pela Polícia Federal, Ministério Público Federal e pelo Banco Central, com desdobramentos no TCU e no STF, e com perguntas centrais ainda sem resposta sobre quem financiou e operou o esquema, e sobre eventuais responsabilidades políticas e administrativas.

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