Banco Central decreta liquidação do Banco Pleno, ex-Voiter, em meio a investigações de fraudes financeiras e dificuldades de liquidez.
O Banco Central (BC) anunciou nesta quarta-feira (18) a liquidação extrajudicial do Banco Pleno, anteriormente conhecido como Voiter. A instituição financeira fazia parte do conglomerado Master, que está sob investigação por supostas fraudes financeiras.
O atual controlador do Pleno, Augusto Lima, que deixou a sociedade com Daniel Vorcaro em 2025, ficou com o banco. Ambos já foram detidos no âmbito da Operação Compliance Zero, mas posteriormente liberados com o uso de tornozeleira eletrônica.
A medida do BC surge após o Banco Pleno enfrentar severas dificuldades de liquidez e a proibição de emitir novos Certificados de Depósito Bancário (CDBs) para captação de recursos. Conforme informações divulgadas pelo BC, a liquidação foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da liquidez e infrações às normas regulatórias.
Histórico de Dificuldades e Conexões com o Conglomerado Master
O Banco Pleno, que já pertenceu ao conglomerado Master, investigado por supostas fraudes, enfrentava problemas de liquidez há anos. O banco, que já se chamou Indusval e depois Voiter, passou por diversas reestruturações sem sucesso. Em 2023, a Capital Consig tentou adquirir a instituição, mas a operação não se concretizou. Em fevereiro de 2024, o Master adquiriu o banco.
Em julho de 2025, o BC aprovou a transferência do Voiter para Augusto Lima, que o renomeou para Pleno. A aprovação ocorreu em um período em que o Master analisava a venda para o BRB (Banco Regional de Brasília). Quatro meses depois, Lima foi preso.
Impacto no Fundo Garantidor de Créditos (FGC)
A liquidação do Banco Pleno aumenta a pressão sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), responsável por garantir investimentos de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. Segundo o FGC, o Pleno possui uma base estimada de 160 mil clientes com depósitos elegíveis à garantia, totalizando R$ 4,9 bilhões.
O rombo financeiro com instituições ligadas a Daniel Vorcaro já era estimado em R$ 46,9 bilhões, sendo R$ 40,6 bilhões do Master e outros bancos do conglomerado, e R$ 6,3 bilhões do Will Bank. O BC informou que o conglomerado do Pleno representa apenas 0,04% do ativo total e 0,05% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional.
Augusto Lima: Ascensão e Envolvimento em Escândalos
A trajetória de Augusto Lima é marcada por uma rápida ascensão, iniciando com a criação do Credcesta em 2018. Ele expandiu seus negócios de crédito consignado por 24 estados e 176 municípios. Em novembro de 2025, foi preso na Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes em carteiras de crédito vendidas pelo Master ao BRB.
Documentos e relatos indicam que a ascensão de Lima envolveu estruturas empresariais opacas e complexas teias societárias. Ele utilizou diversos fundos em seus negócios, estabelecendo laços com a Reag, instituição de fundos de investimento que foi alvo da Operação Carbono Oculto por suspeita de operar para o PCC e que também foi liquidada pelo BC.
Medidas do Banco Central e Busca por Responsabilidades
O Banco Central reafirmou que continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades. O órgão regulador declarou que os resultados das apurações poderão levar à aplicação de medidas sancionadoras administrativas e comunicações às autoridades competentes. Os bens de Augusto Lima e dos administradores do Banco Pleno foram tornados indisponíveis.
Anteriormente, em 18 de novembro, o BC já havia decretado a liquidação do Master, Master de Investimento, Master Corretora e Letsbank. Em janeiro, foram liquidados a administradora de fundos Reag e o Will Bank, evidenciando um amplo desdobramento das investigações sobre o conglomerado.