Brasil e Índia se unem para desafiar monopólio chinês de terras raras e impulsionar transição energética

Brasil e Índia unem forças para minerais raros e desafiar domínio chinês

O Brasil e a Índia darão um passo significativo para reduzir a dependência global da China no fornecimento de terras raras. Líderes dos dois países, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro Narendra Modi, se reunirão em Nova Délhi para selar um acordo de cooperação em mineração e processamento desses minerais estratégicos.

A iniciativa busca abrir novos mercados e fortalecer a segurança no suprimento de minerais essenciais para a tecnologia moderna, especialmente para a transição energética. Ambos os países possuem vastas reservas, mas capacidade limitada de extração e refino, áreas onde a China detém o controle.

Este acordo, que também abrangerá minerais críticos, é visto como crucial em um cenário geopolítico cada vez mais complexo, onde o controle sobre recursos estratégicos se tornou um ponto de tensão comercial. Conforme informações divulgadas, a cooperação entre Brasil e Índia visa justamente mitigar os riscos associados a essa concentração de poder.

Terras Raras: A espinha dorsal da tecnologia moderna

As terras raras, um grupo de 17 elementos químicos, são componentes vitais para a fabricação de uma vasta gama de tecnologias, desde smartphones e turbinas eólicas até veículos elétricos e equipamentos militares. A China domina atualmente cerca de 70% das reservas mundiais e aproximadamente 90% da capacidade de processamento desses minerais, um processo tecnicamente complexo.

A necessidade de diversificar as fontes de suprimento ganhou urgência após a China impor restrições à exportação de produtos contendo terras raras em outubro do ano passado. Essa medida, que visava retaliar os Estados Unidos, impactou diversas indústrias globais, incluindo a automotiva, de semicondutores e militar, evidenciando a vulnerabilidade da cadeia de suprimentos mundial.

Investimento e cooperação para o futuro

Um indicativo da força dessa nova parceria é o anúncio de investimento da empresa indiana Altmin de cerca de R$ 220 milhões na Companhia Brasileira de Lítio. O investimento foca na exploração de lítio, outro mineral crítico essencial para a transição energética, demonstrando o potencial de colaboração em minerais de alta demanda.

O geólogo Maurício Carvalho, vice-presidente da Associação Brasileira de Minerais Críticos, destaca o papel do Brasil como protagonista. “O Brasil já tem um acordo muito avançado com a União Europeia em acordos bilaterais e multilaterais para minerais críticos, especificamente terras raras. Está avançando bastante com os Estados Unidos”, afirma, ressaltando que o foco da parceria com a Índia deve ser no processamento de minerais brasileiros.

Estratégia indiana e o potencial brasileiro

A Índia, por sua vez, tem investido fortemente no desenvolvimento de seu setor de minerais. O governo indiano aprovou um orçamento de cerca de US$ 870 milhões para criar corredores de mineração, processamento e manufatura. O país asiático espera dobrar a demanda por terras raras em sua indústria até 2030, o que reforça a importância de parcerias estratégicas.

A cooperação com o Brasil pode ser fundamental para suprir essa demanda crescente e, ao mesmo tempo, diversificar as fontes globais. A exploração sustentável das vastas reservas brasileiras, aliada à expertise indiana em processamento e manufatura, pode reconfigurar o mercado global de terras raras e minerais críticos nos próximos anos.

Brasil em busca de novos mercados e parcerias estratégicas

A viagem de Lula à Índia também inclui discussões sobre a abertura de novos mercados para o agronegócio brasileiro e a regulamentação da inteligência artificial. A assinatura de memorandos de entendimento e acordos em diversas áreas, com destaque para minerais críticos e terras raras, sinaliza uma agenda ambiciosa para fortalecer laços bilaterais e multilaterais.

O tema da diversificação de cadeias de suprimento de minerais críticos também deve permear as conversas com o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, para onde Lula viajará após a Índia. Essa movimentação diplomática reforça o empenho do Brasil em se posicionar como um player fundamental na nova ordem mundial de recursos minerais estratégicos.

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