COI libera braçadeira para atleta ucraniano homenagear mortos na guerra em Jogos de Inverno
O Comitê Olímpico Internacional (COI) autorizou o atleta ucraniano Vladislav Heraskevich, do skeleton, a usar uma braçadeira preta nos Jogos de Inverno de Milão-Cortina. A permissão surge após o atleta ser impedido de usar um capacete com fotos de compatriotas mortos durante a invasão russa.
A decisão foi anunciada nesta terça-feira (10) e representa um “bom compromisso”, segundo Mark Adams, porta-voz do COI. A organização, que proíbe manifestações políticas em eventos olímpicos, flexibilizou a regra para permitir a homenagem.
Heraskevich havia participado de um treino com um capacete cinza exibindo retratos de atletas ucranianos que morreram na guerra. A proibição inicial do equipamento gerou forte reação, inclusive do presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, que lamentou a decisão do COI.
Proibição inicial e reação ucraniana
Vladislav Heraskevich expressou sua tristeza nas redes sociais, sentindo que o COI estava “traindo os atletas” ao impedir a homenagem. O presidente Zelenski apoiou publicamente o atleta, destacando que a verdade sobre o preço da luta ucraniana não deveria ser considerada inapropriada ou uma manifestação política.
Zelenski citou especificamente o patinador artístico Dmytro Sharpar e o biatleta Yevhen Malyshev, ambos jovens atletas que morreram em combate. Ele ressaltou que suas vidas foram ceifadas pela guerra travada pela Rússia.
Carta Olímpica e a exceção do COI
O COI confirmou a proibição inicial com base no Artigo 50 da Carta Olímpica, que visa evitar interferências políticas e religiosas para garantir o foco dos atletas no desempenho. No entanto, após uma reunião informal com a equipe de Heraskevich, o Comitê decidiu abrir uma exceção.
Mark Adams explicou que a braçadeira preta será permitida como uma forma de homenagem, mantendo o espírito de não-politicização, mas reconhecendo a sensibilidade da situação. O atleta continua liberado para expressar suas opiniões em entrevistas e zonas mistas.
Apelo e a força da delegação ucraniana
Apesar da autorização da braçadeira, Heraskevich anunciou que recorrerá formalmente da decisão, buscando permissão para usar o capacete original. Ele vê a participação da Ucrânia nos Jogos de Milão-Cortina como um “símbolo muito forte”, com uma delegação de 46 atletas.
Heraskevich afirmou que a presença numerosa do país é uma demonstração de força e resiliência, mostrando que a Ucrânia “continua forte e continua aqui, entre as melhores nações, apesar da guerra”. A prova de skeleton masculina está prevista para começar na quinta-feira.
É importante notar que treze atletas russos competem sob bandeira neutra como sanção imposta pelo COI após a invasão da Ucrânia pela Rússia, um evento que ocorreu poucas semanas depois dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim 2022.
