Demanda histórica para a Copa do Mundo de 2026: todos os jogos esgotados, afirma presidente da FIFA
A Copa do Mundo de 2026, que será realizada em três países norte-americanos, já demonstra um apetite gigantesco por parte dos torcedores. O presidente da FIFA, Gianni Infantino, declarou com convicção que todos os 104 jogos do torneio terão seus ingressos esgotados, mesmo com entradas ainda disponíveis para o evento que ocorrerá entre 11 de junho e 19 de julho.
Infantino destacou a magnitude da procura, revelando que em apenas quatro semanas foram registrados 508 milhões de pedidos de ingressos. Esses pedidos vieram de mais de 200 países, competindo por cerca de sete milhões de ingressos disponíveis para o evento.
“Nunca vimos nada parecido. É incrível”, afirmou o dirigente em entrevista à CNBC, diretamente de Mar-a-Lago, resort do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Flórida. A declaração reforça a expectativa de um evento de sucesso estrondoso em termos de público e engajamento global.
Expansão e preços elevados: um debate em andamento
A Copa do Mundo de 2026 marcará a primeira vez que o torneio contará com 48 seleções, divididas em 16 cidades-sede distribuídas entre Estados Unidos, México e Canadá. A grande final está programada para o MetLife Stadium, em East Rutherford, Nova Jersey. Essa expansão, segundo Infantino, pode ser um dos fatores que contribuem para o que algumas associações de torcedores têm criticado como preços exorbitantes de ingressos.
“Acho que é porque o torneio acontece nos Estados Unidos, Canadá e México”, explicou Infantino, atribuindo a alta demanda à vontade de todos em fazer parte de algo especial. Ele também reconheceu que sites de revenda, utilizando a chamada “precificação dinâmica”, elevam significativamente os custos dos ingressos oficiais.
“Você também pode revender seus ingressos em plataformas oficiais, mercados secundários, então os preços também vão subir”, comentou. “Isso faz parte do mercado em que estamos.”
Valores surpreendentes no mercado secundário
Exemplos concretos ilustram a disparidade de preços. Uma reportagem do Straits Times apontou que um ingresso para a partida de abertura entre México e África do Sul, na Cidade do México, na Categoria 3 (o setor mais alto do estádio), estava sendo oferecido por US$ 5.324 (aproximadamente R$ 27.684), um salto colossal em relação ao preço original de US$ 895 (cerca de R$ 4.654).
O cenário para a final não é diferente. Um ingresso da mesma categoria, originalmente cotado a US$ 3.450 (R$ 17.940), chegou a ser anunciado por impressionantes US$ 143.750 (aproximadamente R$ 747,5 mil) em fevereiro, evidenciando a especulação no mercado.
Medidas para torcedores fiéis e comparação histórica
Em dezembro, a FIFA anunciou uma iniciativa para tentar garantir acesso a torcedores mais fiéis. Uma ‘categoria especial’ de ingressos, custando US$ 60 (cerca de R$ 312), será distribuída às federações nacionais. A expectativa é que essas federações repassem esses ingressos para “torcedores fiéis que têm forte ligação com suas seleções nacionais”, conforme comunicado oficial.
Para efeito de comparação, na Copa do Mundo de 1994, sediada pelos Estados Unidos, os ingressos variavam de US$ 25 a US$ 475. Já na Copa do Qatar em 2022, os preços iniciais foram de US$ 70 a US$ 1.600.
Impacto econômico e reinvestimento no futebol
Gianni Infantino estima que a Copa do Mundo de 2026 gerará US$ 11 bilhões (cerca de R$ 57,2 bilhões) em receita para a FIFA. Ele assegurou que “cada dólar” será reinvestido no desenvolvimento do esporte em seus 211 países membros.
O impacto econômico para os Estados Unidos é projetado em cerca de US$ 30 bilhões (aproximadamente R$ 156 bilhões), englobando turismo, alimentação e investimentos em segurança. A expectativa é que o torneio atraia entre 20 a 30 milhões de turistas e crie 185 mil empregos em tempo integral, consolidando a Copa do Mundo de 2026 como um evento de proporções globais e econômicas sem precedentes.