Presidente do BRB se reúne com deputados do DF para esclarecer crise com Banco Master e discutir aporte financeiro.
O presidente do BRB (Banco de Brasília), Nelson Antônio de Souza, tem planos de se encontrar com deputados da Câmara Legislativa do Distrito Federal nos próximos dias. O objetivo principal é apresentar um panorama detalhado da situação atual do banco e debater, em conjunto com os parlamentares, a eventual necessidade de um aporte financeiro.
A expectativa é que Nelson Antônio de Souza apresente aos deputados uma estimativa do impacto financeiro decorrente do envolvimento do BRB com o Banco Master, que está sob investigação após operação da Polícia Federal. Serão discutidas também as medidas que estão sendo implementadas, incluindo uma investigação independente.
A articulação para a reunião está sendo feita em conjunto com o governo Ibaneis Rocha (MDB). Isso se dá pelo fato de que os deputados distritais terão um papel crucial na aprovação de parte das soluções propostas, como um empréstimo do BRB com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que demandaria garantias do Distrito Federal. Conforme informações divulgadas sobre o caso, o Banco Central já indicou um potencial rombo no BRB.
BC aponta rombo de R$ 5 bilhões e exige provisionamento de R$ 2,6 bilhões
Desde que a operação policial resultou na liquidação do Banco Master, na prisão de seu controlador Daniel Vorcaro e no afastamento do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, o banco regional de Brasília tem evitado divulgar números oficiais sobre seu caixa. Contudo, em depoimento à Polícia Federal no Supremo Tribunal Federal (STF) em 30 de dezembro, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, afirmou que o BRB deve ter um rombo de ao menos R$ 5 bilhões.
Além disso, a Folha de S.Paulo noticiou que o Banco Central já exigiu que o BRB realize um provisionamento, ou seja, uma reserva financeira, no valor de R$ 2,6 bilhões. Esse valor se destina a cobrir eventuais perdas decorrentes da compra de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito do Banco Master, que foram apontadas como fraudulentas.
Governador Ibaneis Rocha ausente e oposição critica gestão do BRB
O governador Ibaneis Rocha conta com o apoio da maioria dos deputados distritais, mas a crise do BRB já gera repercussões. Dois integrantes da base governista, falando reservadamente, expressaram o desejo de aguardar o avanço das investigações antes de tomar decisões. Governistas também esperam um encontro presencial com o governador para que ele possa detalhar seus planos.
A abertura do ano legislativo na terça-feira (3) foi marcada pela ausência do governador Ibaneis Rocha e por protestos da oposição. A principal crítica foi direcionada à nova informação de que a Polícia Federal abriu um inquérito para apurar possível gestão fraudulenta do BRB. Ibaneis não compareceu à sessão para a leitura da tradicional mensagem do governo, nem enviou representante, alegando conflito de agenda.
Na mensagem enviada à Câmara Legislativa, o governador Ibaneis Rocha evitou mencionar a crise que envolve o BRB e o Banco Master. Em vez disso, o texto exaltou o papel do BRB no desenvolvimento econômico e social do DF, citando a reinauguração do Autódromo Internacional de Brasília e a operacionalização de programas sociais.
Oposição questiona futuro do BRB e critica ausência do governador
O presidente da Câmara Legislativa, Wellington Luiz (MDB), justificou a ausência de Ibaneis afirmando que o momento é delicado e que a sessão seria destinada apenas aos parlamentares para manifestação livre. A base governista permaneceu em silêncio durante a sessão, enquanto a oposição criticou duramente a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB.
O deputado distrital Max Maciel (PSOL) questionou a postura do governador, afirmando que mesmo sem conhecimento profundo sobre o sistema financeiro, era possível identificar irregularidades. O deputado Chico Vigilante (PT) levantou dúvidas sobre como o rombo no BRB será coberto e criticou a ausência de representantes do governo na reabertura dos trabalhos legislativos, considerando-a uma descortesia com a Câmara.
Soluções para o BRB são incertas e base aliada não apoia medidas fáceis
Parlamentares expressam ceticismo quanto à facilidade de encontrar soluções para a crise do BRB. Nem mesmo a base de apoio de Ibaneis parece concordar com medidas que envolvam a Caesb (Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal). A privatização de partes da CEB (Companhia Energética de Brasília) e a criação de fundos imobiliários com terrenos do DF são vistas como opções demoradas e incompatíveis com a urgência da situação.
