Andreas Pereira: do escorregão que virou pesadelo à chance de protagonizar um novo capítulo, agora com o Palmeiras contra o Flamengo em Lima.
A final da Libertadores de 2025 em Lima promete ser um palco de reviravoltas e ironias, e Andreas Pereira é o protagonista involuntário dessa narrativa. Quatro anos após o lance que definiu a derrota do Flamengo para o Palmeiras em 2021, o meia está de volta à decisão continental. Desta vez, porém, ele veste a camisa alviverde, com a possibilidade real de ser o algoz do seu antigo clube mais uma vez.
Aquele escorregão no gramado do Centenário em Montevidéu, aos cinco minutos da prorrogação, se tornou um marco indelével na carreira de Andreas Pereira e na memória dos torcedores flamenguistas. A bola perdida que resultou no gol de Deyverson selou a derrota por 2 a 1, e o jogador desabou em campo, chorando no banco de reservas. A imagem de sua angústia se perpetuou, tornando-se um símbolo de um momento que ele mesmo descreveu como “um inferno”.
Conforme relatado pelo próprio jogador em entrevista ao podcast FIVE, a volta ao Brasil foi marcada por uma necessidade de proteção, com a troca do ônibus por um carro blindado para evitar ataques. Apesar do apoio de parte da torcida do Flamengo, que chegou a erguer uma placa no Maracanã com a frase “Andreas, está tudo bem”, as provocações de rivais se intensificaram.
O episódio de 2021, embora doloroso, não foi o único momento de tensão para Andreas Pereira no futebol brasileiro. No início de 2022, uma queda nas provocações do Madureira resultou em cartão amarelo e substituição ainda no primeiro tempo. Sua saída do Flamengo se concretizou após a diretoria, dividida, optar por não exercer a opção de compra de 10 milhões de euros junto ao Manchester United, uma decisão que, segundo a fonte, contou com a oposição de Luiz Eduardo Baptista, atual presidente.
A reconstrução longe dos holofotes brasileiros
A passagem pelo Fulham, na Inglaterra, marcou um período de **serenidade e reconstrução** para Andreas Pereira. Lá, ele reencontrou a titularidade, recuperou a confiança e foi convocado para a Seleção Brasileira, chegando a marcar gols contra México e Peru. Jogar longe da pressão midiática do Brasil permitiu que ele gradualmente retomasse o protagonismo em sua carreira.
O retorno ao Brasil e o reencontro com o passado
Em agosto de 2025, o Palmeiras surgiu como destino, em uma transferência de 10 milhões de euros que trouxe Andreas Pereira de volta ao cenário nacional. O meia declarou que a escolha pelo clube paulista foi a melhor para o momento de sua carreira. Sua estreia foi promissora, com assistências e gols, rapidamente se tornando uma peça **essencial no esquema de Abel Ferreira**.
No entanto, o reencontro com o Flamengo, desta vez vestindo a camisa alviverde, não foi isento de tensões. Em uma partida pelo Brasileirão, Andreas foi **vaiado a cada toque na bola**, chegou a escorregar em uma cobrança de falta, gerando risadas no Maracanã. Apesar dos ruídos do passado, ele manteve seu protagonismo na campanha do Palmeiras.
A final como palco de ajuste de contas
A final em Lima coloca todos os elementos dessa história sobre a mesa. Torcedores do Flamengo, em uma provocação direta, levaram máscaras referenciando o erro de 2021, com cartazes chamando Andreas de “entregador de paçoca”. Para parte da torcida rubro-negra, a conquista da Libertadores seria também uma forma de **fechar um capítulo doloroso**.
Andreas Pereira chega à decisão de 2025 como titular absoluto do Palmeiras, peça-chave no jogo de Abel Ferreira. Seu desempenho pode ser **determinante no ritmo da partida** e no controle do meio-campo. Para o Flamengo, ele representa o personagem que pode reabrir feridas antigas ou, quem sabe, ajudar a fechá-las de vez.
Aos 29 anos, o jogador encara em Lima a partida mais significativa desde o lance que marcou sua carreira. Não se trata de apagar o passado, mas sim de um ponto onde tudo começou e pode ter um novo desfecho. No futebol, o destino, quando oferece uma segunda chance, muitas vezes a apresenta com um novo uniforme.
