Desemprego no Brasil Atinge Mínima Histórica de 5,4% em Janeiro de 2026, Indicadores da Pnad-Contínua Surpreendem Mercado
A taxa de desemprego no Brasil fechou o trimestre encerrado em janeiro de 2026 em 5,4%, mantendo o patamar registrado nos três meses anteriores. Este índice representa o menor valor da série histórica comparável divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad-Contínua).
Os dados, divulgados nesta quinta-feira (5), abrangem tanto o mercado de trabalho formal quanto o informal. A mediana das projeções do mercado financeiro, segundo a agência Bloomberg, também apontava para uma taxa de 5,4%, confirmando as expectativas.
Adriana Beriguy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, explicou que os resultados do trimestre indicam uma estabilidade nos indicadores de ocupação. Os bons resultados do final de 2025 conseguiram compensar o movimento sazonal de dispensa de empregados no início do ano, segundo a especialista.
Mercado de Trabalho Forte e Perspectivas Econômicas
Analistas do setor privado observam um mercado de trabalho ainda robusto, o que pode exercer pressão sobre os indicadores de inflação e dificultar cortes mais expressivos na taxa básica de juros. Apesar do cenário positivo, há uma projeção de leve aumento do desemprego ao longo do ano.
A menor taxa de desemprego registrada em trimestres anteriores da série histórica comparável havia sido de 5,1%, nos três meses encerrados em dezembro de 2025. No entanto, o IBGE ressalta que a comparação direta entre trimestres consecutivos que compartilham meses em comum deve ser feita com cautela.
“Esse valor de 5,4% configura uma estabilidade estatística em relação ao trimestre anterior. É a menor taxa da série comparável, não a menor taxa de toda a série histórica”, esclareceu Adriana Beriguy.
Impacto da Sazonalidade e Crescimento da Ocupação
Beriguy detalhou que o mês de janeiro geralmente apresenta uma tendência de redução no contingente de trabalhadores, muitas vezes devido à dispensa de temporários. Contudo, os dados favoráveis de novembro e dezembro de 2025 atenuaram o impacto desse movimento sazonal.
“Esse efeito sazonal ainda não é suficientemente forte para neutralizar os efeitos de expansão do mercado de trabalho no fim de 2025”, completou a coordenadora. No trimestre até janeiro, o IBGE contabilizou 5,9 milhões de pessoas em busca de trabalho, uma queda de 17,1% em relação aos 7,1 milhões do mesmo período do ano anterior.
A Pnad-Contínua, iniciada em 2012, registrou o maior contingente de desocupados no trimestre até março de 2021, durante a pandemia de Covid-19, com quase 15 milhões de pessoas. Os indicadores de subutilização da força de trabalho também atingiram o menor patamar da série comparável, com 13,8%.
Ocupação e Informalidade em Queda
O número de pessoas com algum trabalho alcançou 102,7 milhões, um aumento de 1,7% no ano, o que representa 1,7 milhão de pessoas a mais. O nível de ocupação ficou em 58,7%, estável no trimestre e com crescimento de 0,5 ponto percentual no ano.
A taxa de informalidade foi de 37,5%, inferior aos 37,8% do trimestre anterior e aos 38,4% de um ano antes. Segundo o IBGE, a informalidade está em queda desde 2022, com aceleração a partir de 2023.
“No atual trimestre, a retração da taxa esteve associada à tendência de queda do emprego sem carteira no setor privado e de expansão da cobertura de registro no CNPJ dos trabalhadores por conta própria”, explicou Beriguy.
Renda Média e Projeções Futuras
O rendimento médio do trabalho no trimestre até janeiro foi de R$ 3.652 por mês, um aumento de 2,8% no trimestre e 5,4% no ano. Este é o maior valor da série em termos reais, com ajuste pela inflação.
A massa de rendimento real totalizou R$ 370,3 bilhões, com alta de 2,9% no trimestre e 7,3% no ano. O crescimento do rendimento, tanto no segmento formal quanto no informal, tem contribuído para aumentos sustentados nos últimos anos.
Economistas como André Valério, do banco Inter, destacam a resiliência do mercado de trabalho, mas apontam para a proximidade dos indicadores com seus topos, sinalizando perda de dinamismo. Ele projeta um leve aumento do desemprego, encerrando 2026 em 5,5%.
Rafael Perez, da Suno Research, prevê uma alta gradual da taxa de desemprego nos próximos meses, com o indicador fechando 2026 em 6%. Já Claudia Moreno, do C6 Bank, aposta em um mercado de trabalho aquecido, com a taxa de desemprego ligeiramente acima de 5% ao final do ano.