Dólar recua com Copom e Fed no radar: O que esperar da economia?
O dólar abriu em queda nesta terça-feira, 3 de janeiro, em meio à análise da ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central. O documento reforçou a intenção de iniciar o ciclo de cortes de juros já na próxima reunião, em março, um sinal positivo para a economia brasileira.
A divulgação da ata do Copom ocorre em um momento de atenção global aos desdobramentos nos Estados Unidos, com a indicação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve (Fed). Essa movimentação nos EUA impacta diretamente o mercado financeiro internacional e, consequentemente, o comportamento do dólar frente ao real.
O mercado doméstico acompanha de perto esses movimentos, buscando entender as implicações para os juros, a inflação e o fluxo de investimentos. Conforme informações divulgadas, às 9h08, a moeda norte-americana caía 0,39%, cotada a R$ 5,2370, contrastando com o fechamento em alta na segunda-feira.
Copom confirma corte de juros e mercado reage positivamente
A ata do Copom trouxe clareza sobre os próximos passos da política monetária brasileira. O comitê reafirmou o plano de iniciar o ciclo de cortes de juros em março, após observar a melhora da inflação e a convergência das expectativas para a meta de 3%. Essa decisão é vista como um passo importante para estimular a economia.
A expectativa de juros mais baixos no Brasil tende a atrair investimentos para o mercado doméstico, o que pode pressionar o dólar para baixo. A Bolsa de Valores também refletiu esse otimismo, com o Ibovespa subindo 0,78%, impulsionada por ações de grandes empresas como Vale e bancos brasileiros.
Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, comentou que a recuperação do dólar no cenário internacional está ligada às decisões sobre o novo presidente do Fed, que dissiparam preocupações sobre a independência da instituição. No entanto, a perspectiva de cortes de juros no Brasil traz um alívio pontual para a moeda americana no mercado local.
Indicação para o Fed e o impacto nos mercados globais
A indicação de Kevin Warsh para presidir o Fed dos Estados Unidos gerou repercussão. Warsh é visto como um defensor de uma política monetária mais rigorosa no combate à inflação, o que pode significar juros mais altos, em contraste com as expectativas de redução defendidas pelo presidente Donald Trump.
A possível nomeação de Warsh, que deve assumir o cargo em maio, precisa ser confirmada pelo Senado. Havia receios de interferência política nas decisões do Fed, mas a percepção de que Warsh é um nome com credibilidade busca mitigar essas preocupações, segundo Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad.
Declarações de membros da Casa Branca sugerem que Warsh poderá ter uma abordagem mais flexível em relação aos juros, considerando o crescimento econômico. Gabriel Cecco, especialista da Valor Investimentos, aponta que o indicado deverá ser mais sensível ao cenário econômico do que à manutenção de juros elevados por tempo prolongado.
Commodities e Juros: Uma relação de interdependência
A notícia sobre a potencial política monetária nos EUA também afetou o mercado de metais preciosos. O ouro chegou a cair 10% e a prata, 15%, nesta manhã. Isso ocorre porque juros mais altos nos EUA tornam os títulos do governo americano mais atraentes, levando investidores a se afastarem de ativos considerados mais arriscados.
Em paralelo, o petróleo também registrou queda, com as ações da Petrobras e outras empresas do setor acompanhando o movimento. A desvalorização do barril de petróleo foi influenciada por declarações do presidente Trump sobre possíveis negociações com o Irã, sinalizando uma distensão nas tensões bilaterais que haviam elevado os preços anteriormente.
Cenário doméstico: Congresso, STF e juros futuros em foco
No Brasil, a atenção dos investidores se voltou para a retomada das atividades no Congresso e no Supremo Tribunal Federal (STF). A possibilidade de instalação da CPI do Banco Master e a potencial indicação do secretário de política econômica da Fazenda, Guilherme Melo, para a diretoria do BC foram pontos de atenção.
A possível nomeação de Guilherme Melo gerou desconforto e cautela no mercado, refletindo em um aumento dos juros futuros. Rafael Lima, CEO da fintech Ótmow, explicou que o mercado busca uma remuneração maior para emprestar dinheiro ao governo por longos períodos, indicando maior insegurança com essa possibilidade.
O contrato de DI de janeiro de 2028, por exemplo, subiu de 12,69% para 12,71%; o de janeiro de 2029 avançou de 12,69% para 12,75%; e o de janeiro de 2031 foi de 13,04% para 13,14%. No vencimento de 2035, a taxa passou de 13,30% para 13,42%, evidenciando a cautela do mercado com os prazos mais longos.
