É Surreal: A Incrível Volta por Cima da Esquiadora Brasileira Bruna Moura, Que Superou Acidente Grave e Promete Brilhar nas Olimpíadas de Inverno 2026

A ressurreição olímpica de Bruna Moura: do leito hospitalar aos Jogos de Inverno 2026

A história de Bruna Moura é um verdadeiro testemunho de resiliência e paixão pelo esporte. De seu leito hospitalar, lutando contra múltiplas fraturas após um grave acidente de trânsito, a esquiadora brasileira fez uma promessa a si mesma: levantar-se e competir novamente. Quatro anos depois daquele momento sombrio, Bruna Moura estará em Milão-Cortina d’Ampezzo 2026, representando o Brasil nas Olimpíadas de Inverno.

Enquanto contava os dias para sua tão sonhada estreia olímpica em Pequim 2022, Bruna viajava como passageira em uma van da Áustria para a Alemanha, onde pegaria um voo para a China. O destino, no entanto, tinha outros planos.

O veículo sofreu um acidente fatal, tirando a vida do motorista. Bruna foi levada de helicóptero para um hospital com fraturas em três costelas, um braço e o pé esquerdo, além de danos pulmonares. O sonho olímpico parecia ter se esvaído em um instante.

A promessa que nasceu na dor

“Desde os primeiros dias após o acidente, eu repetia para mim mesma que me classificaria para 2026. Não era arrogância; era um sonho, e eu lutaria por ele”, relata Bruna Moura, de 31 anos, em uma videochamada da Holanda, onde vive há quatro anos.

A atleta, nascida em Caraguatatuba, no litoral paulista, sentiu que, apesar das incertezas, a luta por seu objetivo era o que realmente importava. “Não podíamos garantir o que aconteceria ao longo de quatro anos, mas podíamos garantir o quanto lutaríamos”, afirma ela.

Retorno às pistas e novos desafios

A sensação de vitória ao se classificar para Milão-Cortina 2026 é, para Bruna, completamente diferente de quando se classificou para Pequim. “É surreal”, diz ela, sorrindo, mesmo que ainda sinta um desconforto no pé esquerdo ao esquiar.

A reabilitação foi longa e árdua, com tarefas simples como tomar banho se tornando um desafio. Bruna retornou às competições em 2023, adaptando seus métodos de treinamento às sequelas do acidente. “A dor se tornou parte da rotina”, confessa.

O destino, contudo, pareceu testá-la ainda mais. Em 2024, Bruna foi diagnosticada com toxoplasmose, perdendo 25% da visão do olho direito e precisando interromper seus treinos novamente.

Foco no ponto forte e a estratégia de ouro

Diante das dificuldades físicas, Bruna e sua treinadora, a esquiadora olímpica letã Baiba Bendika, desenvolveram uma estratégia focada em seu ponto forte: o sprint. Provas de longa distância se tornaram mais desafiadoras.

“Eu sempre tive melhores resultados em provas mais curtas, sempre fui mais explosiva, mas depois do acidente, melhorei ainda mais”, explica Bruna. A treinadora soube dosar os esforços, contendo a atleta quando necessário: “Houve momentos em que eu quis me esforçar um pouco mais, e ela me conteve. Ela dizia: ‘Não vamos por esse caminho’”, conta.

A estratégia era clara: maximizar o potencial em seu ponto mais forte, em vez de tentar compensar as limitações em provas mais longas. “Sabíamos que meu ponto forte ainda tinha muito espaço para melhorar”, ressalta.

Promessa cumprida e o orgulho de representar o Brasil

Cada obstáculo reavivava o trauma do acidente, mas a lembrança da promessa feita no hospital a impulsionava. Sua psicóloga, segundo Bruna, sempre a lembrava desse compromisso com seu sonho.

No final de 2025, Bruna retornou às seletivas e conquistou sua tão merecida vaga nos Jogos Olímpicos de Inverno. “Por mais da metade da minha vida, lutei para me tornar uma atleta olímpica, mas não quero simplesmente chegar lá e dizer: ‘Sou uma atleta olímpica, cruzei a linha de chegada’”, afirma com paixão.

“Quero dar tudo de mim pelo meu país, pelas pessoas que me ajudaram, por este sonho.” O Brasil, aliás, terá sua maior delegação na história dos Jogos Olímpicos de Inverno na Itália, com 14 atletas, mostrando o crescimento do país nas modalidades de inverno.

Leia mais

PUBLICIDADE