Eduardo Bolsonaro reage à prisão do pai e dispara contra Alexandre de Moraes, acusando-o de “perseguição”
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL/SP) manifestou forte indignação e acusou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de orquestrar uma “perseguição” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, após a confirmação da prisão preventiva de seu pai pela Primeira Turma da Corte.
Em declarações nas redes sociais, Eduardo Bolsonaro afirmou que a decisão de prender Jair Bolsonaro já estaria “planejada” por Moraes, minimizando a importância do episódio da tornozeleira eletrônica, que teria sido apenas um “detalhe” na justificativa da prisão.
As declarações surgiram horas depois que a Primeira Turma do STF confirmou unanimemente a prisão preventiva decretada no último sábado (22/11), quando Jair Bolsonaro foi detido pela Polícia Federal (PF) por descumprir medidas impostas em inquérito sobre a trama golpista. Conforme a fonte, a PF aponta que o ex-presidente tentou violar a tornozeleira eletrônica.
Moraes teria “tudo preparado” para a prisão, alega deputado
Eduardo Bolsonaro sustentou em um vídeo que Alexandre de Moraes “já estava com tudo preparado” para ordenar a prisão no dia 22 de novembro. Ele citou como coincidência outras decisões judiciais anteriores, como a multa aplicada ao Partido Liberal (PL) e o julgamento da inelegibilidade de seu pai, que também teriam ocorrido em datas próximas.
Sem apresentar provas, o deputado classificou o ministro como “psicopata” e alegou que a tentativa de rompimento da tornozeleira ocuparia apenas “um parágrafo” em uma decisão de 14 páginas. Essa narrativa diverge do que consta na decisão oficial, onde Moraes cita a violação do equipamento e as vigílias em frente ao condomínio do ex-presidente como fatores de risco.
Defesa alega desconhecimento e STF mantém justificativas da prisão
A defesa de Jair Bolsonaro argumentou na audiência de custódia que a tentativa de abrir a tornozeleira teria ocorrido por acreditar na existência de um dispositivo de escuta clandestina, associando o ato a efeitos de medicamentos. Contudo, essa versão foi refutada por integrantes da Primeira Turma do STF, que consideraram o comportamento como “consciente”.
Por outro lado, o STF mantém a posição de que a prisão preventiva se baseia em “elementos objetivos”. Na decisão de 22 páginas, Alexandre de Moraes destacou que Bolsonaro tentou romper o equipamento de monitoramento eletrônico, fato amplamente divulgado no fim de semana.
Eduardo Bolsonaro pede “exposição” de “autoritarismo” e alerta para “extradições”
O parlamentar intensificou o tom de suas críticas, conclamando apoiadores a “expor” o que ele chamou de “autoritarismo” de Alexandre de Moraes. Ele alertou que, sem mobilização, o ministro poderia “extraditar mais pessoas”, embora não tenha apresentado nomes ou casos específicos.
Em um trecho de grande repercussão, Eduardo Bolsonaro expressou a esperança de que “haverá respostas aos desmandos” e que essas reações não poderiam surgir dentro do Brasil, onde, segundo ele, Moraes teria controle “por ameaças e conchavos”.
Inquérito da “coação” e medidas cautelares: entenda a situação
Eduardo Bolsonaro mencionou que Jair Bolsonaro estaria em prisão domiciliar, monitorado por tornozeleira e proibido de usar redes sociais “com base em um inquérito que já acabou”. Ele se referia ao inquérito da suposta coação, no qual ele e o comunicador Paulo Figueiredo foram denunciados pela Procuradoria Geral da República (PGR).
É importante ressaltar que o encerramento de um inquérito não extingue automaticamente medidas cautelares anteriores, especialmente quando há ações penais derivadas ou apurações paralelas, como ocorre no caso de Bolsonaro, que enfrenta processos distintos no STF. A “perseguição” citada pelo deputado é vista pelo STF como a aplicação da lei.
