Embraer e Companhias Aéreas Americanas Ganham Novo Respiro com Mudança Tarifária de Trump, Mas Incertezas Persistem

Novas tarifas de importação nos EUA isentam aeronaves, motores e peças, aliviando pressão sobre a Embraer e companhias aéreas americanas, mas o setor aeroespacial comercial ainda enfrenta desafios.

A fabricante brasileira de aviões Embraer, juntamente com companhias aéreas americanas e o setor aeroespacial comercial em geral, devem experimentar um alívio significativo com a recente imposição de um novo regime tarifário pelo governo Trump. A mudança, que introduz uma tarifa temporária sobre importações globais, prevê isenções importantes para o segmento de aviação.

A decisão, anunciada como substituta de tarifas derrubadas pela Suprema Corte dos EUA, visa reestruturar o comércio internacional. A isenção para aeronaves, motores e peças aeroespaciais representa um avanço para empresas que dependem do mercado americano, embora especialistas alertem que a incerteza regulatória ainda paira sobre o setor.

Apesar do otimismo inicial, advogados e executivos do setor aeroespacial pedem cautela. A Casa Branca ainda conduz investigações sobre práticas comerciais brasileiras, e tarifas sobre matérias-primas como aço e alumínio podem continuar elevando os custos de produção. Conforme informação divulgada pela Reuters, a isenção global para o setor aeroespacial é mais ampla do que as previamente concedidas a parceiros comerciais como a União Europeia, Reino Unido, Japão, Canadá e México.

Embraer em Vantagem com Isenção de Tarifas

A isenção de tarifas para aeronaves sob as novas regras de Trump representa um impulso considerável para a Embraer. Anteriormente, a fabricante brasileira enfrentava uma desvantagem competitiva, com uma tarifa de 10% sobre a importação de seus jatos executivos e regionais para os EUA, enquanto concorrentes como a canadense Bombardier e a francesa Dassault entravam no mercado americano sem impostos. Essa nova política **ameniza essa desvantagem**, tornando os produtos da Embraer mais competitivos.

Katie DeLuca, advogada especializada em aviação privada da Harper Meyer, descreveu a notícia como **”muito encorajadora e uma notícia muito boa para o nosso setor”**. A medida chega em um momento crucial para a Embraer, que estava prestes a anunciar uma nova variante de seus jatos executivos Praetor. A empresa, que havia considerado a tarifa anterior “administrável, mas prejudicial”, agora pode ver um cenário mais favorável para suas operações de exportação.

Companhias Aéreas Americanas Aguardam Cenário Tarifário

As companhias aéreas americanas, que dependem de aeronaves regionais como os jatos E175 da Embraer, também podem se beneficiar da nova isenção. A Alaska Airlines, por exemplo, relatou um pequeno atraso na entrega de dois jatos E175 devido às tarifas anteriores e agora aguarda a próxima entrega entre junho e setembro para **”entender como ficará o cenário tarifário”**. A expectativa é que a isenção acelere a importação desses modelos, otimizando as frotas e os custos operacionais das empresas.

SkyWest Airlines e American Airlines, outras grandes encomendantes de jatos regionais da Embraer, ainda não se pronunciaram oficialmente sobre o impacto da nova política. No entanto, a possibilidade de importar essas aeronaves sem o peso das tarifas é vista como uma **”janela”** para o mercado americano, conforme apontado por Tobias Kleitman, presidente da TVPX. A duração dessa janela, porém, permanece uma incógnita, gerando um misto de otimismo e cautela.

Incertezas e Custos Adicionais Persistem no Setor

Apesar da isenção para aeronaves, o setor aeroespacial comercial ainda enfrenta desafios. Dave Hernandez, especialista em aviação executiva e advogado da Vedder, ressalta que o governo Trump está conduzindo investigações separadas sobre as práticas comerciais e a indústria aeroespacial comercial do Brasil. Essas investigações podem trazer novas incertezas regulatórias para empresas como a Embraer.

Além disso, as tarifas impostas pelos EUA sobre materiais como aço e alumínio **”estão aumentando os custos finais das aeronaves, motores e peças”**, segundo Hernandez. Essa situação impacta diretamente a cadeia de suprimentos e os custos de fabricação, mesmo para aeronaves que agora estão isentas de tarifas de importação. A medida, que ocorre em meio a investigações sobre riscos à segurança nacional, pode abrir precedentes para futuras tarifas sobre produtos importados.

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