Debate sobre jornada de trabalho de 6×1 esquenta na Câmara com disputa política e pressão de lobbies empresariais.
A proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa acabar com a escala de trabalho 6×1 está ganhando força na Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, Arthur Lira, demonstrou otimismo em relação à aprovação da matéria ainda em março na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), com o objetivo de levá-la ao plenário até maio. A medida, comparada por Lira ao fim da escravidão, contraria os planos do governo Lula, que prefere um projeto de lei com urgência constitucional.
A articulação política em torno do tema envolve diversos atores e interesses. Enquanto o governo busca emplacar sua bandeira eleitoral, setores como indústria, comércio e serviços intensificam a divulgação de estudos que apontam impactos negativos da mudança. Empresários e políticos ligados a essas áreas planejam uma ofensiva para protelar a aprovação da PEC, argumentando que a redução da jornada de trabalho pode afetar a competitividade das empresas.
Neste cenário, o podcast Café da Manhã, da Folha de S.Paulo, analisa a complexa teia política e os lobbies que cercam o debate sobre o fim da escala 6×1. A repórter Fernanda Brigatti traz os detalhes do clima no Congresso Nacional, enquanto a especialista em futuro do trabalho, Maíra Blasi, avalia os estudos e discute os possíveis rumos da discussão no Brasil. Ouça o episódio completo no Spotify.
Avanço da PEC e Contraponto do Governo
O presidente da Câmara, Arthur Lira, deu um passo significativo ao designar o relator da PEC na CCJ, o deputado Paulo Azi (União Brasil-BA). Essa ação indica uma aceleração no processo, o que desagrada ao governo Lula. A preferência do Palácio do Planalto seria por um projeto de lei, que tramitaria com mais celeridade e poderia ser aprovado com mais facilidade, dado o caráter de urgência constitucional. Lira, por sua vez, nega que busque protagonismo, afirmando que a opção pela PEC permite um debate mais amplo com trabalhadores e o setor produtivo.
Pressão dos Setores Produtivos e Lobbies
Nas últimas semanas, entidades representativas de diversos setores econômicos têm intensificado a divulgação de estudos sobre os potenciais impactos da extinção da escala 6×1. O objetivo é criar um contraponto forte aos defensores da PEC. A estratégia envolve apresentar dados que alertam para possíveis aumentos de custos e perda de competitividade. Lideranças políticas também têm se posicionado publicamente contra a medida.
Posicionamento do Partido Republicanos
Um exemplo claro dessa oposição vem do partido Republicanos. O presidente da legenda, Marcos Pereira, declarou à Folha que a mudança na escala de trabalho “tiraria competitividade das empresas” e acrescentou que “ócio demais faz mal”. Essa fala reflete a preocupação de parte do empresariado e de políticos alinhados a esses interesses, que veem a redução da jornada como um entrave ao desenvolvimento econômico e à produtividade.
O Papel do Podcast Café da Manhã na Discussão
O podcast Café da Manhã, publicado no Spotify, promete aprofundar a análise sobre o tema. Fernanda Brigatti, repórter da Folha em Brasília, detalha o cenário político e as movimentações no Congresso. Em seguida, Maíra Blasi, especialista em futuro do trabalho, oferece uma perspectiva técnica, analisando os estudos apresentados e as tendências globais sobre jornadas de trabalho. O programa, que vai ao ar de segunda a sexta-feira, é apresentado por Gabriela Mayer e Gustavo Simon.
