Gianni Infantino: A Década de Ousadia que Aproximou a FIFA de Geopolítica e Expandiu Copas

Em dez anos, Infantino moldou a FIFA em um palco de diplomacia global, misturando esporte com política e expandindo competições pelo mundo.

Gianni Infantino, presidente da FIFA, construiu em uma década uma imagem de diplomata global. Seu perfil nas redes sociais exibe fotos ao lado de lendas do esporte como Marta e Cristiano Ronaldo, intercaladas com registros em eventos de alto escalão, como o Fórum Econômico Mundial e o Conselho de Paz promovido pelo ex-presidente dos EUA, Donald Trump.

Essa atuação diplomática, contudo, gerou investigações. O Comitê Olímpico Internacional (COI) apurou suspeitas de que Infantino violou regras de neutralidade. A investigação foi motivada por sua participação em uma reunião em Washington sobre a reconstrução da Faixa de Gaza, onde utilizou um boné com a sigla USA e os números 45-47, em referência aos mandatos de Trump. O COI, posteriormente, absolveu o dirigente, argumentando que a FIFA cumpria seu papel de apoio à reconstrução.

A proximidade com Donald Trump é evidente. Infantino chegou a entregar a Trump o “Prêmio da Paz” da FIFA em dezembro de 2025, durante o sorteio da Copa do Mundo de 2026, que será sediada por Estados Unidos, México e Canadá. Os EUA também foram palco da primeira edição expandida do Mundial de Clubes, com 32 equipes, reformulada como parte da estratégia de expansão global da entidade.

A expansão global e a política de Infantino

A estratégia de Infantino inclui a ampliação da Copa do Mundo, que passará de 32 para 48 seleções a partir da próxima edição. Essa medida, defendida durante sua campanha, garantiu sua vitória em uma eleição disputada em dois turnos em 2016, quando prometeu recuperar a credibilidade da FIFA após escândalos de corrupção. Ele foi reeleito por aclamação em 2023 e pode buscar um último mandato em 2027.

Posicionamentos em conflitos internacionais

O presidente da FIFA também se manifestou sobre conflitos globais. Em entrevista à Sky News, defendeu o fim da proibição imposta à Rússia após a invasão da Ucrânia, afirmando que a sanção não trouxe resultados positivos. Infantino declarou que a FIFA mantém diálogo com regimes como Irã e Coreia do Norte visando promover o futebol feminino, citando como exemplo a permissão para mulheres iranianas assistirem a jogos e o desenvolvimento de equipes femininas norte-coreanas.

O legado da gestão Blatter e Platini

Infantino chegou ao poder em 2016, impulsionado pela influência de Michel Platini, então presidente da UEFA. A ascensão de ambos ocorreu em um período de crise na FIFA, marcado por escândalos de corrupção que levaram ao banimento de Joseph Blatter e Platini do futebol. Infantino utilizou a instabilidade institucional como plataforma para sua campanha, prometendo renovação e colocando o futebol no centro das atenções.

Um caminho de 15 anos no poder?

Reeleito em 2023 como candidato único, Gianni Infantino tem a possibilidade de permanecer no cargo por mais um mandato, o que totalizaria 15 anos à frente da entidade máxima do futebol mundial. Sua gestão é marcada por uma visão expansionista das competições e uma abordagem diplomática que o insere cada vez mais no debate geopolítico internacional.

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