Grupo português Mota-Engil negocia R$ 15 bilhões por ferrovia, porto e mina na Bahia, rejeitados pela Vale

Mota-Engil mira pacote bilionário de infraestrutura na Bahia, incluindo Fiol, Porto Sul e mina de ferro.

A gigante portuguesa de infraestrutura Mota-Engil está em fase avançada de negociações com o governo federal para adquirir um pacote de projetos na Bahia, avaliado em cerca de R$ 15 bilhões. A empresa busca assumir a concessão de mais 500 quilômetros da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), o Porto Sul, em Ilhéus, e uma mina de minério de ferro em Caetité.

O acordo, se concretizado, representaria a retomada de obras paralisadas há anos, que enfrentaram dificuldades com a antiga concessionária Bamin, controlada por um grupo do Cazaquistão que entrou em processo de quebra. A negociação também destrava o interesse do governo federal em viabilizar esses empreendimentos estratégicos para o escoamento de produção.

A iniciativa tem o forte apoio do ministro da Casa Civil, Rui Costa, e do senador Jaques Wagner, ambos baianos, que veem no projeto uma forma de impulsionar o desenvolvimento do estado. Conforme informações obtidas pela Folha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou de uma reunião no Palácio do Planalto para discutir os detalhes da negociação. A expectativa é que o negócio seja fechado nas próximas semanas.

Avanço na ‘Due Diligence’ e Estratégia Luso-Chinesa

Após a reunião ministerial, a Mota-Engil formalizou as tratativas com o Ministério dos Transportes e iniciou a fase de due diligence. Nesta etapa, a empresa analisa minuciosamente os aspectos financeiros, jurídicos e operacionais de cada projeto. A transação envolve cláusulas de sigilo devido à complexidade e ao volume de investimentos.

Por trás da Mota-Engil está a estatal chinesa CCCC, detentora de 32,4% da companhia portuguesa, que deve ser a principal responsável pelo financiamento do pacote. O plano da Mota-Engil é assumir 100% das concessões, sem a entrada de outros sócios, embora o BNDES possa atuar como financiador em parte do negócio.

Projetos Estratégicos e o Rejeito da Vale

A Fiol 1, com 537 quilômetros entre Caetité e Ilhéus, está com cerca de 75% das obras executadas, mas completamente parada. A ferrovia é vital para transportar minério da mina de Pedra de Ferro até o Porto Sul, previsto para ser o ponto de exportação. O Porto Sul, um terminal privado com investimento estimado em mais de R$ 8,3 bilhões, também sofreu atrasos significativos.

Em 2024 e 2025, a Vale chegou a avaliar a compra dos projetos, mas desistiu após negociações. A mineradora não demonstrou interesse no minério da região e preferiu focar seus investimentos em Carajás, no Pará. Com a entrada da Mota-Engil, a expectativa de conclusão do negócio é considerada pela fonte como “praticamente 100%”.

Destravando o Potencial Logístico da Bahia e Novos Leilões

A conclusão do pacote Fiol 1, Porto Sul e mina em Caetité destrava um corredor logístico fundamental para o escoamento de produção do Centro-Oeste ao litoral baiano. O governo federal também planeja publicar o edital da Fico-Fiol, um segundo trecho ferroviário de 1.650 km, em maio, com leilão previsto para agosto. Este novo eixo conectará a Bahia a Goiás e Mato Grosso, com um custo total estimado em R$ 41,8 bilhões.

A Mota-Engil, ao consolidar sua presença na Fiol 1, se posiciona como uma forte candidata a disputar os leilões dos demais trechos da ferrovia, fortalecendo sua atuação no Brasil. A empresa já venceu o leilão do túnel Santos-Guarujá e tem participação em obras na Refinaria Duque de Caxias (Reduc).

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