Jair Bolsonaro Preso: A Cronologia Detalhada da Investigação que Levou o Ex-Presidente à Condenação por Golpe de Estado

A trajetória de Jair Bolsonaro até a prisão: um resumo dos fatos que abalaram a democracia

As últimas semanas foram marcadas por eventos de grande repercussão política no Brasil, com a prisão de Jair Messias Bolsonaro. A investigação que levou o ex-presidente à detenção preventiva tem como pano de fundo a **tentativa de golpe de Estado** articulada após sua derrota eleitoral em 2022. A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público apontam que Bolsonaro e aliados civis e militares teriam atuado para impedir a posse do governo eleito.

Os planos investigados incluíam medidas drásticas como a **prisão de autoridades**, o **fechamento de instituições** e até mesmo a cogitação do assassinato de figuras políticas proeminentes. Essas articulações vieram à tona ao longo de 2023 e início de 2024, em diversas investigações que apuravam atos antidemocráticos e o uso da máquina pública para deslegitimar o processo eleitoral.

A cronologia dos fatos, conforme apurado pela Polícia Federal e divulgado em reportagens, detalha o **caminho que levou Jair Messias Bolsonaro à prisão**. Acompanhe os principais marcos dessa jornada que culminou em uma condenação histórica para o país, conforme divulgado pela fonte do conteúdo.

Março de 2024: A Operação Tempus Veritatis e o Início da Investigação

O ponto de virada na investigação ocorreu em **8 de fevereiro de 2024**, quando a Polícia Federal deflagrou a **Operação Tempus Veritatis**. Por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a operação mirou Bolsonaro e um grupo de ex-ministros e militares de alta patente. O objetivo era investigar a existência de uma **organização criminosa voltada à tentativa de golpe** e à abolição do Estado Democrático de Direito.

Naquele dia, mandados de busca e apreensão foram cumpridos, e o **passaporte de Jair Bolsonaro foi recolhido**. Moraes também o proibiu de deixar o país e de manter contato com outros investigados. A operação teve como base a delação premiada de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, que detalhou reuniões, minutas de decretação de golpe e a tentativa de mobilizar setores das Forças Armadas.

Poucos dias depois, em 22 de fevereiro de 2024, Bolsonaro prestou depoimento à PF, **negando qualquer plano de ruptura institucional**. Ainda em fevereiro, ele passou dois dias na Embaixada da Hungria em Brasília, um episódio interpretado por investigadores como um possível ensaio para pedido de asilo ou fuga.

Novembro de 2024: O Indiciamento e a Revelação do Plano “Punhal Verde e Amarelo”

Em novembro de 2024, a PF concluiu o inquérito principal sobre a tentativa de golpe. O relatório final **indiciou Jair Bolsonaro e outros 36 investigados** como integrantes de uma organização criminosa. A acusação é de que eles planejaram e instigaram a ruptura institucional, além de atuarem na preparação dos atos de 8 de janeiro de 2023.

Paralelamente, outra operação da PF, a Contragolpe, revelou o plano **”Punhal Verde e Amarelo”**. Este plano, segundo as investigações, incluía o **assassinato de Lula, Geraldo Alckmin e Alexandre de Moraes** para impedir a posse do governo eleito. Parte dos envolvidos nesse plano já havia sido alvo da Operação Tempus Veritatis, reforçando a conexão entre os diferentes núcleos do plano golpista.

Março de 2025: Denúncia da PGR e Bolsonaro se Torna Réu no STF

Com base no relatório da PF, a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou uma **denúncia ao STF contra Bolsonaro e outros envolvidos** em março de 2025. A acusação o apontou como líder de uma organização criminosa armada, responsável por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado contra patrimônio público e deterioração de bem tombado, em referência à depredação das sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro.

A denúncia foi aceita pelo STF, **abrindo a ação penal** que, meses depois, levaria à primeira condenação criminal de um ex-presidente brasileiro por tentativa de golpe. Este foi um marco significativo no processo de responsabilização criminal no país.

Agosto e Setembro de 2025: Prisão Domiciliar e a Condenação Histórica

Enquanto o processo avançava, Bolsonaro acumulou medidas cautelares em outros inquéritos. Em 4 de agosto de 2025, o ministro Alexandre de Moraes decretou sua **prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica**. A decisão foi motivada pelo descumprimento de ordens judiciais, com o ex-presidente utilizando redes de aliados para instigar hostilidades contra instituições.

A situação se agravou em 11 de setembro de 2025, quando a Primeira Turma do STF **condenou Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão**, em regime inicial fechado. Os crimes pelos quais foi condenado incluem organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Com a condenação, Bolsonaro se tornou o primeiro ex-presidente do Brasil a ser sentenciado por tentativa de golpe de Estado, além de receber oito anos de inelegibilidade.

Novembro de 2025: Prisão Preventiva e o Cumprimento da Pena

Mesmo condenado, Bolsonaro ainda aguardava decisões finais sobre o início da execução da pena. No entanto, em 22 de novembro de 2025, a situação mudou drasticamente. A PF registrou que a **tornozeleira eletrônica havia sido danificada** em sua residência. Diante do risco de fuga e de obstrução da justiça, o ministro Alexandre de Moraes **decretou sua prisão preventiva**.

A prisão foi cumprida pela PF na manhã do dia 22, levando o ex-presidente para a Superintendência da corporação em Brasília. Poucos dias depois, a Primeira Turma do STF determinou o **início imediato da execução da pena de 27 anos e 3 meses**. A decisão fixou que Bolsonaro cumpriria a condenação na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde já se encontrava. Assim, o ex-presidente começou a cumprir a pena em regime fechado, encerrando um ciclo de 653 dias para sua responsabilização criminal.

Leia mais

PUBLICIDADE