Carnaval de Lula: A Esquerda Celebra em Grande Estilo, Enquanto a Direita Critica o Retorno da Democracia
O Carnaval de 2024 marcou um momento de celebração para a esquerda e o presidente Lula, que foram homenageados pela Acadêmicos de Niterói em um desfile memorável na Sapucaí. A escola de samba contou a história do presidente, em um espetáculo que contrastou com o passado de repressão da ditadura militar. A direita tentou, sem sucesso, impedir o desfile, mas a democracia prevaleceu.
A Acadêmicos de Niterói, que subiu ao Grupo Especial recentemente, apresentou um desfile que, apesar de não ser páreo para as grandes escolas, emocionou e gerou debate. A homenagem a Lula foi o ponto alto, com a escola retratando sua trajetória em um momento de liberdade e ausência de censura, algo impensável durante o regime militar.
A presença de Lula no Carnaval foi discreta, mas significativa. Ele evitou falar com a imprensa e se manteve reservado, mas acenou para o público em diversos momentos. A primeira-dama, Janja, que desistiu de participar de um carro alegórico, foi substituída pela cantora Fafá de Belém, adicionando um toque de glamour ao desfile.
A Democracia em Cena na Sapucaí
Cinco décadas após o sequestro do embaixador americano Charles Elbrick e a leitura de um manifesto pela esquerda armada em rede nacional, o país assistiu a um novo tipo de manifesto: uma escola de samba contando a história de um presidente eleito democraticamente. Conforme noticiado, a Acadêmicos de Niterói transformou a Marquês de Sapucaí em palco para exaltar Lula, em um claro contraste com o período da ditadura militar (1964-1985).
A direita brasileira, conforme relatado, torceu contra o desfile, na esperança de que a Justiça proibisse a homenagem. No entanto, a escola de samba cumpriu seu papel sem cometer irregularidades eleitorais, com a única ressalva sendo o gesto de Lula beijando a bandeira da agremiação, um ato de carinho pela escola que o homenageou.
Críticas e Provocações no Desfile
O desfile da Acadêmicos de Niterói não poupou críticas à direita. A Comissão de Frente, por exemplo, representou Michel Temer entregando a faixa presidencial a Jair Bolsonaro, fantasiado de palhaço. Fantasias com dizeres como “conservadores em conserva” e alusões a Donald Trump também foram exibidas, provocando protestos de alguns espectadores.
A escola, que deve ser rebaixada para a Série Ouro, não o será por ter exaltado Lula, mas sim por questões técnicas e de desempenho na avenida. O Carnaval de 2024, até o momento, tem sido marcado pela celebração da esquerda, com eventos em outras cidades, como o “Bloco da Anistia” em Belo Horizonte, que cantou o Hino Nacional em ritmo carnavalesco.
Lula Vive o Carnaval com Discrição e Alegria
Em seu camarote na Sapucaí, Lula acenou para o público sempre que seu nome era gritado, mas manteve uma postura discreta, diferente de sua participação em Salvador no dia anterior. Ele desceu à pista por breves momentos para saudar os porta-bandeiras, demonstrando respeito e carinho pela escola.
Apesar de ter chegado e saído da Sapucaí em silêncio, negando-se a falar com jornalistas, a presença de Lula foi sentida. A cobertura da TV Globo foi descrita como protocolar, sem grandes destaques, mas a mensagem da escola de samba ecoou forte, celebrando a democracia e a trajetória de um presidente que se tornou símbolo para muitos.
O Carnaval como Palco Político e Cultural
Este Carnaval, mais do que uma festa popular, se tornou um palco para manifestações políticas e culturais. A homenagem a Lula pela Acadêmicos de Niterói é um reflexo da polarização política do país, mas também da força da democracia, que permite que diferentes vozes se expressem livremente, mesmo em meio a críticas e provocações.
A capacidade de celebrar a história de um líder político em um evento tão grandioso como o Carnaval demonstra a vitalidade da democracia brasileira. A Acadêmicos de Niterói, com seu desfile, contribuiu para essa celebração, transformando a Sapucaí em um espaço de memória, crítica e, acima de tudo, de festa democrática.
