O que está por trás da venda da marca Pelé para a família Neymar por R$ 95 milhões e quais os riscos para o legado do Rei do Futebol?
A venda da marca Pelé para a família Neymar por R$ 95 milhões pegou o mercado de surpresa. O valor, considerado por muitos inferior ao legado do Rei do Futebol, levanta questionamentos sobre a estratégia por trás do negócio, que pode garantir a longevidade da marca e sua revitalização.
Segundo Carlos Gustavo Ribeiro Reis, especialista em mercado publicitário e de marcas do escritório Hastenreiter & Reis Sociedade de Advogados, a justificativa para o valor da venda reside na ausência do próprio Pelé. “Sem a presença do jogador, a marca não teria o mesmo valor de mercado, ainda que seja classificada como marca de alto renome”, explica.
Marcas de alto renome possuem grande reconhecimento, prestígio e qualidade, com proteção especial que se estende a todas as classes de produtos e serviços. No entanto, a ausência do ícone impacta diretamente seu valor intrínseco. Conforme apurado, o negócio pode envolver não apenas a aquisição da marca em si, mas também um aporte de capital para sua revitalização e valorização.
Estratégias de mercado e o futuro da marca Pelé
Uma das possibilidades levantadas pelo especialista é a de alinhar a marca Pelé com a imagem de Neymar. Enquanto Pelé é lembrado por sua conduta exemplar, a vida pessoal de Neymar é frequentemente envolta em polêmicas. A união das marcas, nesse cenário, beneficiaria diretamente Neymar, com a estratégia de suplantar uma marca em detrimento da outra, um movimento comum no mercado publicitário.
Essa tática visa fazer com que a marca adquirida desapareça com o tempo, para não prejudicar a marca principal. Um exemplo disso seria a compra do Santos F.C pela NR Sports, que, segundo o mercado, poderia ser dificultada pela marca Pelé em projetos de expansão internacional das marcas Neymar e Santos.
O risco de descaracterização do legado de Pelé
O maior risco nessa transação reside na possível descaracterização do legado de Pelé. O Rei do Futebol sempre evitou associações publicitárias que pudessem prejudicar sua imagem, recusando-se a promover produtos como cigarros e bebidas alcoólicas. Sem restrições contratuais claras, a marca Pelé e sua assinatura poderiam ser associadas a multinacionais de bebidas ou até mesmo a jogos de azar, como o “tigrinho”, dependendo das decisões do novo proprietário.
A venda da marca Pelé para a família Neymar levanta, portanto, sérias questões sobre a preservação da imagem e dos valores que o Rei do Futebol construiu ao longo de sua carreira. O futuro dirá se essa aquisição resultará em rejuvenescimento da marca ou em uma diluição de seu prestígio histórico.
