María Corina Machado não fala com Trump desde que aceitou o Nobel da Paz em outubro, e fontes próximas à Casa Branca afirmam que a premiação foi tratada como um “pecado imperdoável”
A deputada e líder oposicionista venezuelana mantém distância pública de Donald Trump desde que recebeu o Nobel da Paz em outubro, apesar de ter agradecido ao ex-presidente por apoio anterior.
Machado chegou a dizer que recebeu ajuda dos EUA para deixar a Venezuela e, já após a premiação, pediu explicitamente ajuda norte-americana para lidar com Nicolás Maduro.
As informações sobre o episódio e suas repercussões na Casa Branca foram reportadas pelo Washington Post e constam também em declarações do comitê do Nobel, segundo informações divulgadas pelo Washington Post e pelo comitê do Nobel.
Motivo da ruptura e alegações de fontes
Fontes próximas à administração americana relataram que a decisão de Machado de aceitar o Prêmio Nobel da Paz, cobiçado por Trump, foi vista internamente como um erro grave, descrito como um “pecado imperdoável”.
Uma das fontes disse, citada pelo Washington Post, que “Se ela tivesse recusado e dito: ‘Não posso aceitar porque é do Donald Trump’, ela seria a presidente da Venezuela hoje”, hipótese que mostra até que ponto a premiação influenciou avaliações políticas.
Antes e depois da entrega do Nobel, Trump defendeu publicamente sua própria indicação, dizendo que “todo mundo” afirmava que ele deveria ganhar e usando a expressão de que ele “acabou com sete guerras” em discursos pró-prêmio.
O posicionamento de Trump após o ataque em Caracas
Em entrevistas após um ataque em Caracas, Trump comentou sobre a capacidade de liderança de Machado no país, afirmando que ela não tinha o “apoio ou o respeito dentro do país” e que, “Acho que seria muito difícil para ela ser a liderança”.
Horas depois da prisão de Maduro em um episódio que teve repercussão global, Trump disse que as tropas norte-americanas viriam a permanecer no país temporariamente, afirmando, “Vamos governar o país até que uma transição adequada possa ocorrer”, sem detalhar o formato dessa administração temporária.
Posição de María Corina Machado e disputa pela Presidência
Machado, por sua vez, defende que o oposicionista Edmundo González Urrutia assuma a Presidência interina, e em comunicado comemorando a operação contra Maduro ela pediu a nomeação imediata do candidato que reivindica vitória nas últimas eleições venezuelanas.
Ela continuou agradecendo a Trump publicamente, mesmo sem ter sido escolhida por ele para liderar um governo na Venezuela, e manteve pedidos ao governo americano por apoio na transição.
Reconhecimento do Nobel e a frase do comitê
O Prêmio Nobel da Paz de 2025 foi concedido a Machado por sua luta pela democracia e pelos direitos humanos, destacou o comitê ao reconhecer seu trabalho para “promover os direitos democráticos do povo venezuelano e por sua luta para alcançar uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia”.
O presidente do comitê do Nobel, Jorgen Watne Frydnes, classificou-a como “uma mulher que mantém a chama da democracia viva, em meio à crescente escuridão“, frase citada no anúncio oficial do prêmio.
Enquanto isso, na Venezuela, as Forças Armadas chegaram a reconhecer Delcy Rodríguez como presidente interina após a deposição de Maduro, mas Trump descartou trabalhar com ela, afirmando que “Ela foi escolhida por Maduro”.
