O presidente argentino, Javier Milei, celebrou a sinalização da União Europeia para o acordo de livre comércio com o Mercosul como uma conquista pessoal, após meses de críticas ao bloco.
A Casa Rosada destaca que o acordo pode abrir novos mercados e atrair investimentos europeus nos setores de agronegócio, mineração e energia, em um momento de reformas comerciais internas.
As informações aqui resumidas foram obtidas a partir da cobertura publicada sobre o tema, conforme informação divulgada pelo g1.
Por que Milei comemorou, e o que isso representa
Milei, crítico do Mercosul desde o início de seu governo, chegou a comparar o bloco a uma “cortina de ferro” que impediria negociações de interesse nacional, e reagiu à notícia escrevendo no X, “As boas notícias continuam”.
A celebração do presidente se mistura com a estratégia da Casa Rosada de usar o acordo para ampliar a participação da Argentina no comércio externo, aproveitando a redução de barreiras para commodities tradicionais como soja, carnes e vinhos.
Impacto econômico e dados chave
Em 2024, o bloco europeu importou cerca de US$ 220 bilhões em produtos agroindustriais, dos quais cerca de 3% eram de origem argentina, segundo levantamento citado pelas fontes.
O governo argentino enfatiza que o capítulo sanitário do acordo deve trazer previsibilidade para exportadores afetados pela política de facilitação de importações promovida por Milei, e que a medida pode ampliar vendas e investimentos em setores-chave.
O que o texto do acordo prevê e citações relevantes
O chanceler argentino, Pablo Quirno, ressaltou que o acordo “elimina tarifas para 92% das exportações, o que representa uma “oportunidade significativa” para o país”. Quirno afirmou ainda, “Assim, a Argentina, sob a liderança de Milei, busca competir e crescer com um ambiente comercial mais claro e livre”, escreveu.
Além da eliminação de tarifas, a União Europeia concordou em dialogar sobre biotecnologia e segurança alimentar, e incluiu compromissos em questões trabalhistas e ambientais, pontos que o governo argentino considera importantes para a inserção externa.
Reações regionais e próximos passos
Ao mesmo tempo, outros membros do Mercosul comemoraram a aprovação europeia. O presidente paraguaio, Santiago Peña, disse que “É benéfico para o Paraguai”, citando a vocação do país para produção de grãos e carnes e o interesse de investidores internacionais.
O Uruguai também foi um dos que mais pressionaram por abertura, e o ministro das Relações Exteriores uruguaio, Mario Lubetkin, comemorou a aprovação dos europeus, lembrando que o Parlamento uruguaio se comprometeu a ser um dos primeiros a ratificar o acordo.
Analistas esperam que Milei agora busque estreitar laços com os Estados Unidos em troca de alinhamento em temas internacionais, enquanto os países do Mercosul ainda avaliam a implementação final do texto, que só encerrará décadas de negociação após ratificações e textos técnicos definitivos.