MP-SP Revela: PCC ordenou morte de Delegado Ruy Ferraz em vingança após décadas de combate à facção

MP-SP aponta cúpula do PCC como mandante da execução do ex-delegado Ruy Ferraz Fontes

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) apresentou, nesta sexta-feira (21), a denúncia que atribui ao alto escalão do Primeiro Comando da Capital (PCC) a ordem para executar o ex-delegado-geral da Polícia Civil, Ruy Ferraz Fontes. A **morte do delegado em setembro no litoral paulista** teria sido motivada por vingança direta contra sua atuação firme no combate à facção ao longo de mais de 40 anos de carreira.

A investigação, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), descartou a hipótese inicial de que o crime tivesse relação com a atuação de Fontes como secretário municipal em Praia Grande. Segundo o MP, o homicídio foi encomendado pela “sintonia geral”, o núcleo que comanda o PCC em nível nacional, como **retaliação direta ao enfrentamento à facção**.

A denúncia revela que a trama para assassinar Ruy Ferraz Fontes vinha sendo articulada há pelo menos cinco anos. Um relatório policial apreendido em 2019, incluído na denúncia, mostra uma carta manuscrita pelo PCC listando agentes públicos cuja morte estava “cobrada” pela facção, e o nome de Ruy Ferraz Fontes era explicitamente mencionado. A carta dizia: “A sintonia geral vem cobrando o resultado dos trampos passados (…) Missão: delegado Ruy Ferraz Fontes. Apoio dos 14.”

Histórico de combate ao PCC e plano de execução detalhado

Ruy Ferraz Fontes, que ingressou na Polícia Civil nos anos 1980, destacou-se em unidades estratégicas e, no início dos anos 2000, passou a **revelar publicamente organogramas do PCC**. Em 2006, ele liderou o indiciamento de toda a cúpula da facção, incluindo Marcola. Esse histórico, segundo o MP, o colocou como **alvo prioritário** da organização criminosa.

O Gaeco detalha que o crime foi precedido por um **planejamento extenso e complexo**. Isso incluiu o mapeamento detalhado da rotina do delegado, vigilância prolongada, a utilização de imóveis de apoio em Praia Grande, Mongaguá e São Paulo, carros de fuga, a obtenção de armamento de alto calibre e o desligamento estratégico de câmeras de segurança durante a ação. A emboscada ocorreu em via pública e em horário movimentado, o que, para o MP, agrava a conduta dos envolvidos por expor terceiros a perigo.

Oito acusados de participação no crime

Oito integrantes do PCC foram denunciados como executores ou participantes da operação. Eles responderão por organização criminosa armada, homicídio qualificado (consumado e tentado), porte ilegal de arma de uso restrito e favorecimento pessoal. São eles: Felipe Avelino da Silva (Mascherano), Flávio Henrique Ferreira de Souza (Beicinho ou Neno), Luiz Antonio Rodrigues de Miranda (Gão ou Vini), Dahesly Oliveira Pires, Willian Silva Marques, Paulo Henrique Caetano de Sales (13 ou PH), Cristiano Alves da Silva (Cris Brown) e Marcos Augusto Rodrigues Cardoso (Pan, Fiel ou Penelope Charmosa).

O MP aponta Marcos Augusto Rodrigues Cardoso como figura central no planejamento. Ele seria responsável por recrutar e coordenar os executores, exercendo a função de “disciplina” no Grajaú, zona sul da capital. A denúncia classifica o crime como de **motivação torpe**, por ser uma retaliação direta às ações de combate ao crime organizado lideradas por Ruy Ferraz Fontes, enviando uma mensagem clara da facção contra quem enfrenta o “estado paralelo” do PCC.

Investigação continua em busca de outros envolvidos

O Ministério Público de São Paulo informou que as diligências continuam para rastrear possíveis outros envolvidos no assassinato do delegado. O caso agora aguarda análise do Judiciário para que a denúncia seja recebida e a ação penal prossiga. A **morte do delegado Ruy Ferraz Fontes** é vista como um ataque direto às forças de segurança e ao Estado.

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