Open English integra IA em aulas de inglês sem demitir professores, focando na conexão humana e aprendizado individualizado.
O avanço acelerado da inteligência artificial (IA) inicialmente gerou preocupações na Open English, escola online de inglês com professores nativos. A possibilidade de a tecnologia substituir a força de trabalho humana poderia minar o diferencial competitivo da empresa, que se baseia na interação olho no olho.
No entanto, a percepção mudou. “As pessoas ainda querem pessoas”, afirma Andrés Moreno, CEO da Open English. A empresa agora incorpora a IA em suas salas de aula, garantindo que a conexão humana permaneça no centro do processo de aprendizado.
A solução, batizada de Jenny, atua como uma professora-assistente. Ela realiza testes de pronúncia e oferece sugestões personalizadas de exercícios para cada aluno. Jenny estará disponível durante as aulas ao vivo ministradas pelos professores da Open English, que continuarão liderando o ensino.
Jenny: A Professora Assistente com IA
A Open English esclarece que **nenhuma demissão foi realizada** em decorrência da implementação da IA. Testes extensivos confirmaram que a **conexão professor-aluno é crucial para manter os alunos interessados e engajados** no curso. A empresa continua investindo em suas equipes e nas aulas ao vivo, mas agora **potencializa o trabalho dos professores com a ferramenta de IA**.
O principal objetivo é **acelerar o aprendizado e aumentar o engajamento dos alunos**. Segundo Moreno, Jenny é particularmente útil para alunos mais tímidos, que podem praticar a pronúncia individualmente com o chatbot antes de se expressarem em aulas em grupo.
Um exemplo prático citado pelo CEO envolve um exercício clássico para iniciantes: nomear objetos em uma cozinha. Em vez de todos os alunos repetirem frases monotonamente, Jenny testa a pronúncia individualmente. Após a correção e prática com a IA, o professor retoma a aula para apresentar o próximo desafio, garantindo a qualidade do ensino.
Expansão e Parceria Pública
Moreno destaca a relevância dessa ferramenta para sistemas educacionais na América Latina, onde a demanda por ensino de inglês é alta, mas os custos e a acessibilidade em áreas remotas são barreiras. O ensino individualizado ou em pequenos grupos é caro, especialmente no modelo presencial, enquanto aplicativos isolados nem sempre são eficientes.
O modelo FluentIA, que engloba essa nova abordagem, foi testado no final de 2025 com mil alunos da Open English, alcançando **96% de aprovação**, segundo a empresa. Agora, ele será implementado na rede pública de ensino do governo de São Paulo.
A iniciativa faz parte do programa **Prontos pro Mundo**, que envia mil alunos para intercâmbio em países como Canadá, Reino Unido e Austrália. O contrato, no valor de **R$ 150 milhões**, visa capacitar 70 mil alunos da rede pública. Os estudantes elegíveis terão acesso ao modelo FluentIA a partir de 11 de fevereiro.
Open English no Cenário Global e Geopolítico
Presente em 26 países e com mais de 3 milhões de alunos, a Open English foca no ensino para crianças e adultos, além de parcerias corporativas. O modelo de negócios B2G (Business-to-Government) já foi testado em outros países latino-americanos, como Colômbia e Chile, e representa um caminho de crescimento em um mercado competitivo.
Andrés Moreno, imigrante venezuelano radicado nos EUA, também comentou sobre a situação política em seu país de origem e a política de imigração nos Estados Unidos. Ele expressou otimismo sobre a futura reconstrução da Venezuela com o retorno de sua diáspora e a importância da estabilidade democrática para futuras operações da Open English no país.
Moreno comparou o receio de latinos nos EUA com a repressão a imigrantes ao sentimento de venezuelanos sob o regime de Maduro. Ele acredita que a política de imigração dos EUA precisa de um **equilíbrio**, pois a perda de pessoas valiosas para a economia é prejudicial.
