Pastor de filho serial estuprador na mira após dívida milionária de R$ 1,8 milhão na igreja

Crise financeira e escândalo sacodem Igreja Batista Filadélfia no DF: dívida milionária e acusações contra o filho do pastor

A Igreja Batista Filadélfia, localizada no Guará (DF), enfrenta uma grave crise financeira, com dívidas que chegam a R$ 1,8 milhão. O pastor Marcos Antônio Santos Campos, pai de Gabriel de Sá Campos, réu por estupro de adolescentes da instituição, falou sobre o caso.

Segundo o pastor, as contas da igreja são apresentadas à Assembleia Geral e nenhuma decisão financeira relevante foi tomada unilateralmente. Ele afirma que os membros já estavam cientes dos impostos não pagos durante a pandemia e das dificuldades financeiras enfrentadas em 2025.

A situação financeira se agrava em paralelo ao escândalo envolvendo seu filho, Gabriel de Sá Campos, preso e réu por abusos sexuais contra menores da igreja. Conforme apuração da coluna Na Mira, o relatório financeiro, aprovado em assembleia após auditoria interna, revelou um rombo milionário durante a gestão de Marcos Antônio Santos Campos.

Dívida milionária e déficit mensal na igreja

O relatório aponta que a igreja acumula R$ 1,8 milhão em dívidas, sendo R$ 1,49 milhão em débitos tributários, o que representa 82% do total. Além disso, há outras obrigações no valor de R$ 322 mil. O déficit mensal da instituição está em R$ 275 mil.

Nos últimos cinco anos, foram investidos R$ 3,9 milhões em obras, mas sem a formação de reservas financeiras, o que agravou a crise. Nesse mesmo período, o pastor Marcos Antônio Santos Campos recebia um salário de R$ 49 mil. Após a divulgação do relatório, ele deixou a liderança da igreja.

Pastor defende remuneração e afirma que não foi afastado

Marcos Antônio Santos Campos defendeu sua remuneração, afirmando que sempre foi “justa e correta”, com reajustes aprovados pelo corpo diaconal e pela assembleia. Ele declarou que não recebe salário desde janeiro de 2026.

O pastor também esclareceu que sua saída da liderança não foi um afastamento, mas sim um jubilamento. Segundo ele, a decisão foi tomada por orientação jurídica e eclesiástica, visando preservar a instituição após o caso envolvendo seu filho. “Entendi que não tinha mais condições emocionais e pastorais de continuar à frente da igreja. Voluntariamente, pedi meu jubilamento”, disse.

Filho do pastor réu por estupro de adolescentes da igreja

A crise financeira ocorre em paralelo ao escândalo envolvendo Gabriel de Sá Campos, filho do pastor, de 30 anos. Ele foi preso e se tornou réu por abusos sexuais contra adolescentes da igreja, crimes que teriam ocorrido desde 2019, com ao menos quatro vítimas entre 10 e 16 anos.

De acordo com a Polícia Civil, Gabriel de Sá utilizava sua posição para ganhar a confiança dos jovens e cometer abusos de forma recorrente. Há relatos de que integrantes da liderança minimizaram denúncias e tentaram evitar que o caso fosse levado às autoridades. Gabriel foi preso em 19 de dezembro de 2025 e sua prisão foi convertida em preventiva em 11 de fevereiro. Ele se tornou réu por estuprar 8 adolescentes da Igreja Filadélfia.

Abusos ocorriam em atividades “festas do pijama” e sessões de filme

As investigações indicam que os abusos cometidos por Gabriel de Sá ocorreram tanto na igreja quanto na casa do acusado. Ele também promovia atividades como “festas do pijama” e sessões de filmes para se aproximar das vítimas. O padrão descrito aponta manipulação psicológica e escolha gradual dos adolescentes.

Em um dos episódios relatados, o ocorrido teria sido tratado como “brincadeira” e “ato involuntário”, com pedido de silêncio à família da vítima, levantando questionamentos sobre a atuação da liderança diante das denúncias.

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