PF Desarticula Rede de Lavagem do Comando Vermelho: CEO da Fictor e Fraude de R$ 500 Milhões em Destaque
A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (25) uma operação ambiciosa para desarticular um complexo esquema de lavagem de dinheiro, com suspeitas de fraudes bancárias que podem ultrapassar a impressionante cifra de R$ 500 milhões. A investigação, batizada de Operação Fallax, mira um grupo criminoso com ligações ao Comando Vermelho.
Entre os alvos da ação estão executivos da Fictor, empresa que recentemente anunciou uma tentativa de compra do Banco Master. O CEO da financeira, Rafael Gois, e o ex-sócio Luiz Phillippe Rubini, que comandava o braço de investimentos da Fictor Invest, tiveram mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal de São Paulo.
A operação, que também é conhecida como Operação Rala Nota, investiga o núcleo financeiro do chamado Bonde do Magrelo, um grupo criminoso com atuação no interior paulista e associado à facção Comando Vermelho. Conforme informações divulgadas pela Polícia Federal, a estrutura criminosa utilizava empresas de fachada para ocultar a origem de recursos ilícitos.
CEO da Fictor é Alvo de Busca, Empresa Afirma Cooperação
A Fictor confirmou que seu CEO, Rafael Gois, foi alvo de um mandado de busca e apreensão, sendo apenas seu smartphone recolhido. A empresa declarou em nota que “Tão logo sua defesa tenha acesso ao conteúdo da investigação, serão prestados os esclarecimentos necessários às autoridades competentes, com o objetivo de elucidar os fatos.”
Já a defesa de Luiz Phillippe Rubini, que deixou a Fictor em outubro do ano passado, informou que “não teve conhecimento prévio do processo e se manifestará oportunamente”. O grupo Fictor entrou com pedido de recuperação judicial no dia 2 de fevereiro, declarando dívidas que superam os R$ 4,2 bilhões.
Esquema Envolvia Fraudes Bancárias e Empresas de Fachada
A Polícia Federal está cumprindo um total de 43 mandados de busca e apreensão e 21 de prisão preventiva em cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. A Justiça Federal detalha que a ação investiga o núcleo financeiro do Bonde do Magrelo, com suspeitas de crimes como estelionato, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta.
Mensagens encontradas no celular de Thiago Branco de Azevedo, conhecido como Ralado e principal alvo da operação, indicam contatos e relações comerciais com executivos da Fictor. Segundo o delegado Florisvaldo Neves, responsável pela investigação, “As comunicações mostram pedidos dos executivos da Fictor para movimentar dinheiro nessa estrutura de empresas de fachada agora sob investigação”.
A organização criminosa recrutava funcionários de outras instituições financeiras para inserir dados falsos nos sistemas bancários, viabilizando saques e transferências indevidas. Os valores obtidos ilicitamente eram, posteriormente, convertidos em bens de luxo e criptoativos para dificultar o rastreamento, conforme comunicado da PF.
Fictor Atuava com Contratos de SCP e Sofre Bloqueio de Bens
A Fictor operava com um modelo de captação de recursos através da emissão de contratos de Sociedade em Conta de Participação (SCP), uma forma de sociedade oculta com menor regulação. Após o escândalo envolvendo o Banco Master, houve uma corrida de investidores para recuperar seus valores na Fictor.
A situação da empresa fica ainda mais delicada com a operação policial. A Justiça determinou o bloqueio e sequestro de bens, incluindo imóveis, veículos e ativos financeiros, no valor de até R$ 47 milhões, visando descapitalizar a organização criminosa. A investigação da PF sobre o esquema remonta a 2024.
Pena Pode Ultrapassar 50 Anos de Reclusão
Os investigados na Operação Fallax podem responder por uma série de crimes graves, incluindo organização criminosa, estelionato qualificado, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, corrupção ativa e passiva, e crimes contra o sistema financeiro nacional. As penas para esses delitos, em conjunto, podem ultrapassar a marca de 50 anos de reclusão.
Durante a operação, foram apreendidos itens como uma pistola calibre nove milímetros, munições, dinheiro em espécie, relógios e diversos aparelhos eletrônicos, como notebooks, pen drives, tablets e smartphones. As autoridades também autorizaram medidas cautelares para rastreamento de ativos financeiros, incluindo a quebra de sigilo bancário e fiscal de 33 pessoas físicas e 172 pessoas jurídicas.
