Presidente da Fifa, Gianni Infantino, sugere premiação a Trump e volta da Rússia às competições, provocando reações fortes.
Em declarações que agitaram o mundo esportivo, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, defendeu a reintegração da Rússia às competições internacionais e o reconhecimento de Donald Trump com um prêmio da paz. Infantino argumentou que boicotes e proibições apenas aumentam o ódio, defendendo o futebol como ferramenta de união em um mundo dividido.
As declarações de Infantino surgem em um contexto de tensões políticas globais, incluindo a política anti-imigração dos Estados Unidos e a guerra na Ucrânia. O dirigente suíço acredita que o esporte tem o poder de transcender conflitos, promovendo o encontro e a paixão compartilhada entre as pessoas.
A posição do presidente da Fifa gerou críticas contundentes, especialmente da Ucrânia, que considera as falas irresponsáveis e um desrespeito às vítimas do conflito. As repercussões evidenciam o delicado equilíbrio entre esporte e política internacional. Informações divulgadas pelo canal britânico Sky News detalharam as opiniões do dirigente.
Infantino Contra Boicotes e a Favor do Diálogo
Gianni Infantino expressou sua forte oposição a boicotes e proibições no esporte, afirmando que tais medidas não contribuem para a resolução de conflitos e, ao contrário, podem intensificar sentimentos negativos. Ele comparou a situação do futebol com as relações comerciais entre Reino Unido e Estados Unidos, questionando por que o esporte deveria ser tratado de forma diferente.
O dirigente ressaltou a importância do futebol como um espaço de encontro e celebração, especialmente em um cenário mundial marcado por divisões e agressividade. Ele acredita que mais oportunidades para as pessoas se reunirem em torno de sua paixão pelo futebol são cruciais.
As falas de Infantino vêm após apelos por um boicote à Copa do Mundo de 2026 nos Estados Unidos, motivados por ações e ameaças do presidente americano Donald Trump. O presidente da Fifa, contudo, prefere o caminho do engajamento e da colaboração.
Defesa do Prêmio da Paz da Fifa a Donald Trump
O presidente da Fifa também aproveitou a entrevista para defender a controversa decisão de conceder o primeiro “Prêmio da Paz da Fifa” a Donald Trump. Infantino justificou a honraria afirmando que o presidente americano, em sua visão, merece o reconhecimento por suas ações em busca de soluções para conflitos globais desde seu retorno ao poder em janeiro de 2025.
Infantino, que já demonstrou afinidade com Trump anteriormente, reiterou que, objetivamente, o ex-presidente dos Estados Unidos cumpriu critérios que justificariam tal premiação, buscando reforçar a ideia de que o esporte pode reconhecer esforços diplomáticos.
Reintegração da Rússia às Competições Internacionais
Outro ponto central das declarações de Infantino foi a defesa do retorno da Rússia e de seus clubes às competições internacionais. As equipes russas foram excluídas após o início da ofensiva militar na Ucrânia em fevereiro de 2022, uma decisão que o presidente da Fifa considera contraproducente.
“Essa exclusão não trouxe nada, só gerou mais frustração e ódio”, argumentou Infantino, defendendo que meninas e meninos russos possam jogar futebol em outras regiões da Europa seria um passo positivo. Ele sugeriu que a Fifa deveria considerar modificar suas regras para evitar a exclusão de países com base em decisões políticas de seus líderes.
A Federação de Futebol da Rússia celebrou as palavras de Infantino, declarando apoio total à sua posição. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, também comemorou as declarações, indicando um alinhamento com a visão do dirigente da Fifa.
Reações Negativas da Ucrânia e Críticas à “Irresponsabilidade”
As declarações de Gianni Infantino foram recebidas com veementes críticas por parte da Ucrânia. O ministro dos Esportes ucraniano, Matvii Bydnyi, classificou as falas como “irresponsáveis, até infantis”. Ele enfatizou que, enquanto a Rússia continuar suas ações militares, sua presença em competições esportivas que prezam por valores como justiça e honestidade é inaceitável.
O chefe da diplomacia ucraniana, Andriy Sybiga, utilizou a plataforma X (antigo Twitter) para relembrar que 679 crianças ucranianas foram mortas pela Rússia, ressaltando a dor e a perda que o conflito causou. Para a Ucrânia, a politização do esporte por parte da Rússia impede a participação de seus atletas em eventos internacionais, pois isso desrespeitaria as vítimas e os valores do jogo limpo.
